rafahenrik.blog.br


É velho blogger, agora sou rafahenrik.blog.br.
Passarei de vez em quando para visitá-lo.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Agosto 09, 2008

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Algum Sinônimo Desconhecido Aplicado Ao Que Conhecemos Sobre Nós


Dessa vez um bom começo terminou tão... cedo,
na verdade, só outra repetição; bem melhor.
Como doação minhas vontades tornaram-se suas,
tendo em mim o gosto da verdade, da sinceridade.
Exprimia teu corpo pequeno com força, com graça;
e quando estalaram os beijos, estilhaçou-se a taça,
os vidros, o espelho, rasgava-se o sofá com os dedos,
o medo sucumbia e a tudo uma cadela assistia.
Após a segunda seguiu-se uma boa terça,
assim como o primeiro dia de maio,
pleno feriado,
que cansamos os corpos descansados.
Um outro dia, um outro ano.
Outra vida, o mesmo plano.
Pois, se é que é assim,
quando o tempo está contra mim,
disfarço um detalhe, trato que se espalhe,
acabo com o disfarce e ganho pelo cansaço...
(ou por algum sinônimo desconhecido sobre isso.)
O que eu sinto? Pouco sei... é homogêneo!
Mais e mais e não reclamo, clamo, amo.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Julho 28, 2008

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Em Rodos


De mãos beijadas tudo tens tudo pode
e segue livre de irritação e frustrações.
Quem batalha a vida em lutas por dinheiro,
enfrenta doenças e nem tem o corpo inteiro.
... segue não gastando naquilo que deseja.
Dorme mais quando ainda pode.
Dorme em paz só quando morre.
De mãos lavadas tudo quis tudo quero
e sigo leve do coração e corações.
Gosto do frio pois me escondo em blusas,
blusas que uso, roupas que te camuflam.
... sigo não gostando daquilo que desejo.
Durmo mais quando quero.
Durmo em paz quando menos espero.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Junho 17, 2008

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Tempero A Gosto


A gente espera um pouco de paz,
um tanto bem, um tanto faz...
E pedir o que não posso dar,
devolvendo o troco começarei de novo
porque só esperamos um pouco de paz.
Todo o tempo com frases tão iguais.
O que é novidade? O que te faz feliz?
Agora tenho um falso descanso,
uma rápida época para desencanos,
para te esquecer e só lembrar de mim.
O que hoje acontece começou há um ano atrás,
e insistentemente a gente busca por paz.

Cai na armadilha que seus nós me armaram,
amarro desinteresse com pitadas de arrogância,
provém das suas roupas sinôminos de lembrança,
caminhamos sem destino e sem sair do lugar.
Brincar exige equilíbrio e já estou sem pés,
sei em que em seu vestido meu perfume encardido
ainda luta contra o doce cheiro do seu suor.
O que me enlouquece é o que te faz melhor,
a chuva seca o que de noite o sol veio molhar.
O que hoje me falta em ti há por demais,
o tempo que passa é desperdício esperando por paz.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Junho 15, 2008

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O Segundo Empecilho


Num dia que decorre,
varia a despressão,
vida que não morre,
amarga contramão.
Com outra mão agarra um homem,
cujo eu sei te faz sentido...
Dia todo penso nisso;
pensamentos que não somem.
Se o azar encontra a sorte
vários triunfos de um sortudo,
passam a ser bem mais fortes,
porém quietos, simples, mudos.
E se mudo a direção,
perco logo o caminho,
volto pela contramão
só comigo e sozinho.
Porque ter sentimentos
não é tomar café com leite.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Junho 02, 2008

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Relutância (Ou A Batalha da Manhã Seguinte)


Acorda cedo para enfrentar o dia, para enfrentar o ônibus cheio, para cumprimentar seus colegas de trabalho, para no fim do mês ter alguma retribuição. Se disso é o que vale o tempo, percebo que um dia de cada vez é demorado demais. Semanas viram meses, a casa vira abandono. Enquanto cansamos o corpo e lutamos por um alívio do emocional e dos constrangimentos, concluimos que a tese do 'enobrece o homem' cai por água abaixo e comparamos velhos hábitos os imortalizando como bons tempos.
Não vivo, sobrevivo. Do dinheiro que sobra não vejo nada, os amigos que tenho não encontro, os amores que quis continuo querendo. Estranho pensar que por toda uma vida você passou planejando caminhos para que fizessem sentido e para que te satisfizessem, pensando em estudo, trabalho e dinheiro como axiomas de fácil acesso. Volto ao dia a dia igualando-os com batalhas de uma guerra. O vencedor é o tempo que acaba levando todo seu conhecimento ao ralo, todo seu dinheiro aos outros, todo o seu cansaço para uma falta de descanso, toda a sua vida para uma nostalgia e uma sucessão de resguardas.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Maio 27, 2008

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Níveis Diferentes


À disposição dos mais interessados,
vivo a lei do quem procura acha.
Pois, quem quer não muito disfarça,
sou atento a tudo que mal importa.
Tratando-se de dispostos e poses,
misturo o sono com um sorriso tolo
como se um rosto calado não fosse
sinônimo de natural embriaguez.
Lá na casa cheia de almas vazias,
suas vontades juntaram-se com as minhas
e os nossos corpos morreram de frio.
Os olhos secos molham a face agora,
e já passou do tempo de ir embora,
o melhor beijo nunca existiu.
Será saudade daqui a alguns minutos,
nossos planos nunca darão frutos,
fraquejaremos numa próxima vez, eu sei.
Se perco a vida fazendo escolhas
ou subo alto como frágeis bolhas,
foi bem assim que aprendi viver.
Por mim, pode até ser mesmo ingrata,
nossos passos farão um caminho sem graça;
estou disposto para uma mudança de poses.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Maio 11, 2008

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Dois Mundos


Veja por este lado, meu bem,
eu não parti para nunca mais voltar,
corri demais sem medo de tropeçar,
fiz de um tropeço o começo de outra vida.
Vieram dizer que sem você tenho andado vazio,
sei que meus olhos não tem mais o mesmo brilho,
faço da cruz-de-dedos um chamado à sorte.
Pois noutra vida talvez nos encontraremos,
mas pra que supor se no final sabemos
que o mundo gira e também se cansa?
Lá vem, mais uma de nossas conversas frias,
desfazendo de lembranças dos melhores dias
e pondo em questão nossos atos de criança.
Não há mais foto colorida a lápis,
só uma esperança de que o mundo acabe
sem eu ter de levar a culpa para casa...
Se seu mundo, tão nosso, de vez explodisse,
eu partiria para nunca mais voltar,
para que, sem azar, pudesse encontrar
do outro lado, um mundo que não cansasse de girar.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Abril 30, 2008

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Escada Rolante


É o que serve para acelerar o passo,
mas ninguém recusa ao conforto de ficar parado.
Uma estática em movimento, um transporte gratuito;
enche de leveza os rostos cheios de peso,
os pés pesados agradecem ainda mais na subida.
Longo elevador sem portas que transporta meu brilho
a outro nível, e num outro nível, talvez mais leveza.
Num contra fluxo percebo melhor a satisfação dos outros,
pois até mesmo quando não funcionam
temos a esperença de usufluir de seus serviços.
Essa é só mais uma teoria sobre o que vivo e tenho visto;
e tenho nisso a impressão de que a Terra não gira nem rola,
decola...

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Abril 02, 2008

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Em Pequenas Quantidades


Pois desapareço feito o sol em seu pôr,
e esqueço como confundir-se é sempre bom.
Embaralho vidas num mesmo monte
e distribuo cartas ao redor da mesa.
Representam pessoas os quatro naipes.
Quando não tenho boas novas ou velharias,
exijo que de bocas fuja algo que me conte
o porquê meu maltrato não vos fere,
se a razão dos meus agrados não diferem
ou minha sede só procura o mesmo pote.
Imagino quantas decepções causei,
se em ouvir o contrário sempre ousei
em arriscar no que já é arriscado;
ou discutir em palavras longe do meu palavriado.
Pois cresço feito o sol em seu nascer,
e pareço como se não conhecesse vocês.
Sou dinheiro gasto com filmes e novelas,
pago para transformar o insuportável em beleza.
Só não esqueçam que preciso sofrer
... um pouco mais.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Março 29, 2008

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Antagônico


Há o que não cansa, isto é que procuro:
um conforto que confronte os apuros.
Toca uma música sem dança, destrói o silêncio,
silencia o que penso, sinaliza uma análise.
Machuco sem força extrema e sei que dói;
pois em mim vive uma sede antiga,
que transforma em ferida
o que em ti é algo maior.
Haveria nó nem trança, não sinto-me como deveria.
Se na sua companhia fico bem,
em ausência creio que estou melhor.
Ver teu sofrimento por decepções seria o começo do meu.
Torço pela felicidade conjunta (mesmo que nos separe).
Não fale, não ore; certos discursos dispensam as crenças;
assim como um corpo fraco acaba sendo convite para doenças;
em mesmo grau toda diversidade tem um lado ruim.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Março 02, 2008

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Ataduras


Para as visitas,
abrimos as portas
e vagamos sempre um lugar no sofá.
Janelas soprando um vento quente,
o aberto se fecha
e traz-se xícaras de chá.
Não há mais convites aceitos,
parece nem haver outro jeito:
vivemos agora só de distância.
A saudade vem como ferida no pé que corrói,
e quanto mais passos são dados ao longe,
afundam na sola os cacos, fazem buracos e mais dói.
Para os conselhos,
abrimos os ouvidos
e deixamos a mensagem tomar um canto.
Vozes ardem num sopro torrente,
os olhos expremem-se
e a visão turva quando tudo cai em pranto.
Não há mais sorrisos feitos,
parece nem haver mais respeito:
somos suspensos apenas por lembranças.
Em tantas troquei o certo pelo duvidoso
querendo manter nos armários um sabor de cada gosto.
Maldade o que fazem comigo, mas eu sei que é castigo
por nem mesmo saber que isto é um maltrato.
Adianto as minhas desculpas,
darei apenas respostas curtas:
não tenho ataduras nos pés machucados.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

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O Mundo Lá Dentro de Casa


Passarão mais semanas, passarinhos piarão,
passearei por ai com passos sem pegadas.
Quando os sábados não chegarem, xingarei o tempo;
xingarei também os domingos quando passarem.
A vida transcorre contra o meu próprio gosto,
pois morre a cada dia quando o sol está posto.
Tão tranquilo o mundo lá dentro de casa,
de uma cena real da qual não passa de imaginação.
Do tremor à caça, da frustação para uma outra;
nas voltas da Terra é que meu cérebro enlouquece,
com o mesmo efeito os dias passam e trazem outros.
Amanhã, depois de amanhã, depois e depois de amanhã
e uma longa repetição de amanhãs que amanhecerão.
Eu com os mesmos olhos acordados e sonhadores,
relembrando da tranquilidade do mundo lá dentro de casa.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Fevereiro 10, 2008

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Do Parto Ao Impacto


Parte 1

Pois quando iremos? Por quanto tempo?
Pois vou sair com os conhecidos:
Três garotas, mais um amigo.
Cantaremos músicas da qual nunca pude ouvir;
tanto beberemos para esquecer do dia inesquecível.
Era novembro, talvez próximo do último mês;
pouco me lembro, mas sei que fizemos história.
Até o momento, pouquíssimos diálogos
tal como se nunca tivessem existido.
E não sei se foi da embriaguez,
mas de vez em vez pareciamos íntimos.
No coro, esqueci do choro e chorei de rir,
cantava a brava calmaria abraçado com a claridade.
É claro, o tempo passou e passou até o momento...

Parte 2

Freqüentes agrados e infinitas conversas.
Vejo que nunca estive tão perto de ser feliz
quanto eu sempre quis, mas nunca ousei.
Ou sei que não daria certo, ou estava embaixo do nariz
e insisti em inspirar experimentos... excrementos.
Dos inventos que fiz é a que melhor acompanhava
(talvez a única corajosa em procurar brilho no fosco);
soa como bobeira, como um repositório tosco, às vezes.
Naquilo que me encontro também servia como ponto de encontro.
"Pois há certas respostas que já estão dentro de nós,
mas custa e custa e custa para acertamos.
Alguma coisa precisa acontecer
(ou alguém precisa aparecer para que esta verdade venha à tona)."
E nos distanciamos... distância que não amamos... separamos.

Parte 3

Confundi as bocas com os beijos,
acabei encontrando beijos em outros lábios.
Lábios amigos e outros desencontrados.
Talvez fiz dos nossos auto-retratos
algo como um engano próprio.
Quando eu fazia do ópio o meu sossego,
e de repente me apego por outro familiar seu.
Que queria tanto que fosse meu,
mas meu nem esses versos... nem esses versos.
E fez do nosso último encontro,
um portal para novos outros encontros.
Confundi beijos com as bocas
e deixaste minha mente louca;
porém ela não mente que sente muito pelo que não acontece.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Janeiro 27, 2008

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Par de Redes


As paredes estão uma defronte a outra:
cor de nuvem em uma, no resto cor de carvão.
Cada sono em que acordo assustado,
sinto forçarem as paredes contra mim;
como se braços estivessem por detrás das mesmas
empurrando... empurrando... até sufocar-me.
Sob a minha cama escuto sussurros e uivos,
adivinham meu temor tal como tivessem mapas.
São as contrárias paredes caladas e amigas,
distintas e tão cúmplices fuzilando o meu corpo.
Sabem fazer de mim um perdido em mim mesmo!

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

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Himmel


Só eu sei o quanto esforço faço para um reencontro;
parece não o bastante nem ostenta em ti interesse.
É um desafio e tanto burlar suas leis e más vontades,
um pavor sem medo por não evitar algum confronto.

Vivemos distantes achando que estamos bem,
porém somos cúmplices de promessas mal-prometidas.
Com prazos de validade sem preços nem garantias,
o mundo é melhor quando disponho de sua alegria.

Se agindo com ímpeto ainda fico sem retorno,
não haveria crença, sorte, crise, nem suborno
que fará sua vontade pequena reverter em ação.
Não preciso de muito. Apenas quero um reencontro!

Semana que vem, promete me ver?
Não precisa ser com maquiados olhos,
não necessito que tenha unhas pintadas,
poderia ser com o pé descalço e sujo,
cabelos bagunçados, boca sem batom,
pijama no corpo, tudo diferente...
Só desejo ver seu rosto e sentir o que mudou.
Apenas quero um reencontro!

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Janeiro 20, 2008

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O Chão Quente


(Ou De Quando Achei Que Estava Perdido)

Então corri como se meus pés fossem asas,
atropelei dois ou três pessoas pelo caminho,
dobrava cada esquina qual eu não sabia
se direcionava-me para perto ou longe de ti.
Só sei que hoje é saudade o que sinto
e dos meses que passaram este é o quinto!
Percebo claramente que pelas ruas que passei
ficaram também os dias que tanto vivi,
perdi minhas opiniões sobre o mundo,
ficou um mundo de que não sei mais.
Então voei como se o chão fosse brasa,
antecipei-me da solidão de estar sozinho,
sonhava com cada maravilha qual eu não sabia
se seguia para longe ou perto de mim.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

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Outro Jeito


Sim, sou feito de horrores não previstos,
de cenas desconhecidas, quais eu assisto,
mas desisto quando tenho de decorá-las.
Quase nunca entendo os filmes que vejo!
E se não for engano, mal entendo o que escrevo;
desde o princípio até dois mil e treze
talvez eu só tenha escrito versos sem sentido.
Quero não saber se erro em dizer isto...
Erros, erros, é quase tudo do que sou capaz
nem mesmo meus erros entendem, aliás.
Também sei, este é mais um ano bissexto,
e não me esqueço que sempre canso um pouco mais.
Não, eu não queria ser perfeito, e mesmo se
houvesse outra maneira, outro jeito de ser,
ainda preferiria não entender os filmes que vejo.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

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2013


Pensei por quanto tempo é que não minto
e lembrei-me das mãos sujas sobre toalhas de mesas,
das sobremesas sob gulosos olhares famintos.

Subi degraus sabendo sobre tudo que minto.
O sobretudo cobria as mentiras não ditas
e as doses de virtudes que sinto.

Tranquei a sete chaves os nossos segredos
e tranquilizei quando em ti havia medo,
mesmo assim, da rima feia não consegui fugir.

Banquei o cavalheiro mais bem vestido,
sorri quando ambos corriam perigo,
mas não alcancei a faca para partir.

Estou devagar por vagar em lembranças,
excluindo malícia dos pensamento de criança,
e rio como há muitos dias não ri.

Sobrou do nosso sigilo
o que eu não sei
se ainda tem valor.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Dezembro 18, 2007

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A Verdade


Simples como um plágio irreconhecível
é um fingimento ardido para impressionar.
Seria ventania sem direção nem força,
apenas para o movimento abafado do ar.
Anti-rugas e antídotos não servem como remédio.
Anti-tudo talvez só me aumentaria o tédio,
e todo mundo seria uma imensidão de joão-ninguéns.
Como um reconhecido plágio feito há tempos,
onde canta-se estrondosos paradoxos,
sou eu enfeitado de giz de cera sem cor.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

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A Obra dos Anos Seguintes


Venho por meio deste destruir quaisquer expectativas,
seja por devoção ou curiosidade. Não sirvo para agrados!
A quem muito esperou e agora encontra este desaforo,
só posso contribuir com os meus pêsames sem fundamento.
Veremos até quando a tranquilidade é possível;
pois estamos correndo e nem o fim da semana é passatempo.
Aliás, só passa o tempo... e mais uma vez soa tão normal.
É fim de ano e as mesmas luzes enfrentam o Natal nas ruas;
um mundo de conto de fadas tomando conta do nosso mundo
nada fantasioso nem maravilhoso nem comemorável. Caríssimo!
Roubam com dinheiro das vitrines...
e roubam com as mãos do meu bolso.
Quando dei por mim já estavam longe,
longe demais para escutar o toque do celular.
Qualquer lugar é um bom lugar para largar as más vontades;
só não jogue suas rebarbas por perto do meu leito.
Lá onde me deito é talvez de onde nunca sairia...
Ano novo e vida nova? Para os meus poemas não muda nada;
eu digo que renderia apenas mais algumas linhas de versos
nada fantasiosos nem maravilhosos nem comemoráveis. Raríssimos!

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Dezembro 16, 2007

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Bons Atos e Boatos


Com a licença da palavra, eu canto agora o meu desencanto.
Em cada maldade há uma lembrança que nunca se apaga
e todo o rosto exclama a presença de uma chaga.
Mas não estou aqui para retratar estas metáforas.
... o sol que brilhava lá fora já soou na minha guitarra.
Porém, agora a chuva fala por si só.
E só eu sei como é um respeito limitado:
quando a língua quer dizer, mas nos dentes faltam coragem.
Com o poder das palavras, eu mudo rimas, eu mudo gestos;
os dias que já passaram servem de base aos meus versos;
mas é no futuro que penso e sempre tento não pensar.
... a chuva que caia lá fora já suou no meu corpo.
Porém, agora a música fala por si só.

o interessante é que eu encontrei isso escrito numa folha de caderno jogada dentro do meu violão. Não faço a mínima idéia de quando/como/onde escrevi.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Novembro 12, 2007

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Atemporal


Salto solto e tonto eu volto,
e tanto disso que lamento.
Solto um riso, salto tonto,
volto pronto para o talento.
Há quanto tempo não me dedico?
Um verso nulo, cem dedos duros;
entrego ao vento o que não tenho,
e saio vivo a todo instante.
Mentiras e ódio não me levam a lugar nenhum;
preocupações escondem as minhas risadas...
E tanto e tanto que perco madrugadas de sol,
pensando em dias e outras horas que ainda virão.
Pois só agora é que consigo entender:
erro às vezes e isso não envolve você.
Pois nesta hora é que eu realmente entendo:
não há arte se não houver sofrimento.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Novembro 11, 2007

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Runa Branca


Um coração que repugna anda sempre tão vazio;
não que isso indique falta de vontade,
trata-se bem mais de coragem e desafios.
Pois duvido não haver nos pensamentos
alguém que contradiga teus conceitos
e sopre uma velha chance de cair-se em perigo.
Apaixonados só recebem tais títulos
quando endividam-se com algo impagável;
e eu sei: você corre o risco de perder o controle,
mesmo ainda tendo juízo, mesmo que não nos una.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Outubro 14, 2007

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Ferro Velho


Sinto falta da poesia nos meus dias
e dos meus dias tranformados em poesia.
Não sei se tão longe de mim tenho andado
nem se perto do longe eu tenho ficado,
mas há um motivo fácil de reconhecer:
o doloroso trabalho indescritível.
Queria eu não ser escravo de ninguém.
Assim até que a morte me liberte?
E para quem muito da vagabundice reclamava,
arde os dentes de pensar em repetir palavras,
dói os olhos em ter de levantar bem cedo,
confunde a mente quando estou triste e não percebo.
A tristeza não me abate, não me supera.
Queria é viver a odisséia,
porém não estamos introsados
nem decididos nem dedicados.
Tampouco posso afirmar qualquer pessimismo,
até mesmo estes que tenho escrito;
apesar de tudo (ou nada), ando com os mesmos sorrisos.
Mesmo que passem despercebidos...
pois quase todo momento penso em algo que me preocupa.
Eu sei que pode ser sua culpa, mas não quero repetir rimas.
Segunda, terça, quarta, quinta e sexta. E nunca acaba!
Dia desses conheci a amiga da amiga da amiga da minha amiga,
me apaixonei três vezes seguidas em pouco mais de três horas.
Mas não quero paixões seguidas de decepções.
Agora, tenho a quarta chance de cair em chamas.
A paixão não me abate, não me supera.
Toda vez que amamos, sempre alguém se ferra.
Num par de amores: um tem muito, outro pouco.
Amor verdadeiro que nada, quero algo recíproco.

não é mais a mesma coisa =/

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Setembro 23, 2007

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Novidades Repetidas


O que me contarás de novo depois de tantos confrontos
entre o despertar e levantar mais uma vez?
De certo, não contarás nada, pois nada mesmo acontece;
apenas troca de sorrisos é o que se fez.

O que dirá dos nossos encontros
dos quais só um beijo no rosto é o 'oi' e a despedida?
De certo, não dirá nada, pois nada mesmo acontece;
apenas são goles da mesma bebida.

Seu dedo estendido aponta a direção
e mais uma resposta esperada: um não.
Escapaste novamente de meus golpes,
não espero mesmo que um dia voltes.

Entre olhares difusos e um aceno de mão,
um espaço vazio quase sem razão.
Novidades se repetem como sempre,
não espero que algo mude de repente.

Quem vai torcer os braços quando a vitória querer chegar?
Quem perderá o jogo quando ele quiser terminar?

Com os pés estáticos e mãos cobertas de suor,
Ansiedade treme defronte aos nossos planos
Que nem sempre foram nossos,
E o que era nosso já se foi...

E esperando que meu corpo fique melhor,
Enquanto isso decoro as flores do campo
Jardins cobertos de brasas,
Nuvens cobrem meu lar.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Junho 28, 2007

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Colchetes


Estrada minha que corri com os olhos,
e que não sei ao que os seus olhos viram...
talvez no dia em que perdi as chaves,
as suas, por vez, trancavam as portas a mim.
Foram pouco mais do que poucos encontros,
muito mais dias do que só um ano.
Partíamos do zero sem esperarmos por nada,
e nada sobrepondo nada chega-se ao fim.
Pois eu, sempre eu, nunca dou atenção devida!
O que eram parênteses tornaram-se colchetes,
as longas reticências ganharam o finito;
mas nada que não tenha sido bonito...
Clara pele negra, claro que não estamos tristes,
pois as nossas risadas firmes ainda fazem ventos.
Começaríamos com um beijo, terminaríamos nos trezentos?
Lembrei de uma pequena façanha
de uma façanha que já havia esquecido:
conseguimos durante um tempo,
nos vermos toda semana!
Agora um eu sem Ana, nos veremos uma vez por quando?
De tudo ainda resta os agradecimentos,
por ter-me feito um pouco mais louco,
um tanto mais solto conosco mesmo.
Porém, aonde é que iremos dessa vez, amiga?

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Junho 04, 2007

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Pratos Cheios de Mixórdia


Sempre a mesma demora
em começar quase sempre
a mesma estrofe.
Acordo com idéias novas,
passo o dia com idéias novas,
idéias novas passeiam comigo,
porém idéias novas
sempre vão embora
sem despedidas...
Pobres idéias novas cotidianas!

Digo: venho dedicando pouco a mim.
Tenho vidas trancafiadas no cérebro,
não vão para o papel nem voam por ai.
Sou só sorrisos misturados com risos falsos,
pois garçom da minha própria confusão é minha pessoa
e sei bem, sem um bom serviço nunca estaria bem.
De tempo em tempo, transformo-me em alguém sem alguém...
sinto falta dos dias que estivemos bem próximos,
mas mesmo assim, te reconheceria a cem anos de distância.

Agora imagine você,
eu sem minhas unhas...
ou pior: sem meus artelhos.
São finos e tortos,
porém sentiria falta.
Como dedilharia meu acorde favorito?
(um dó sustenido com sétima sem som.)
Sem sombra de dúvidas seria estrondoso.
Por hora, eu sem meus pés...
ou pior: sem minhas pernas.
São finas e tortas,
porém sentiria falta.
Como percorreria meu trajeto preferido?
(uma rua a duas quadras de casa.)
Descansado eu sempre estaria... ou não.
No fim, imagine eu sem os olhos...
ou pior: sem meu célebre burro.
É feio e torto,
porém sentiria falta.
Como escreveria estes pensamentos antigos?
(ardidos, malcheirosos ou algo que queira.)
Que?
... que ira tomaria o resto de meu corpo!

Uma mulher, não mais velha que minha pessoa,
assiste uma criança amarrando os cadarços.
Essa criança poderia ser quem quisesse,
poderia fazer quantos nós quisesses também,
o cadarço sempre tornaria ao zero.
Quase sempre a minha pessoa confunde o zero com o nada.
Lembra-se? Não sou ninguém além de garçom da minha própria confusão,
minha pessoa não seria a primeira pessoa do singular em lugar nenhum.
E o zero sempre igualaria ao nulo... ao nada.
Enfim, não é agradável da minha parte dizer palavras como estas a seguir,
mas a criança que tanto digo era a minha pessoa agachada
e digo mais: a mulher passava a reparar tudo em mim e em meu corpo.
Cresci... e a criança transformou-se em monstro.
A mulher virou menina e tremia de medo... de medo... de mim.

Sempre a mesma demora
em começar quase sempre
a mesma história.
Acordo com idéias inéditas,
passo o dia com idéias inéditas,
idéias inéditas passeiam comigo,
porém idéias inéditas
sempre vão embora
sem despedidas...
Ricas idéias inéditas sem conteúdo!

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Maio 26, 2007

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When A Song Doesn't Say Anything About US


Tudo que preciso é um pouco mais de mim;
para nós dois resta um tanto mais de você e eu.
Só pude perceber dificuldades quando nada mais era difícil,
ser fácil é fácil para quem já sabe o que quer.
Em nossas brigas não-visíveis, discutimos pontos de vista diferentes
da qual sobrepomos a decadência em gestos indecentes.
Nunca soube das reais chances de nos termos;
mudamos sempre, apenas para continuarmos os mesmos.
Hoje enfrentaremos como se estivéssemos há muito juntos,
e de muito há só versos meus, malvados e imundos.
Mas esperemos, pois nossa lua ainda não saiu de cartaz;
talvez a distância aumente nossos sintomas de paz...
para nunca mais somarmos termos sem termos valores.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Maio 08, 2007

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Satisfação Garantida ( Ou Seu Dinheiro De Volta )
É encontrar o errado nas nossas certezas;
isso sim é a estranhez; a embriaguez de nós mesmos.
Mas não simpatizo cada erro com situações erradas,
pois somos etapas, e tapas não passam de avisos.
canto sozinho, mas já desconheço a canção:
"Neste tempo, tudo quebra e tudo torna."
... e não queria que fosse embora.
Aliás, eu nunca quis que fosse tarde.
Por outra, descubro que o ócio é ópio,
e vicia, e cansa, e faz falta...
quando vai embora sem um alerta prévio.
O "De Repente" está cada vez mais presente
e minha felicidade concatena confusão com sorrisos.
Não espero que entenda algo que finjo entender;
para tudo há uma explicação não concreta...
Pois bem, como seguia a canção acima:
"Aqueles cantores sempre sabem o que dizer."
Porém o que não sabem, fingem entender...
Minhas músicas favoritas tocam em modo repetido
e não espero canções novas, pois a novidade
cortou minha ponderação como navalha.

pensei que nunca mais conseguiria escrever do jeito que eu realmente gosto.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Abril 26, 2007

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Breve Despejo


Preocupa-se tanto com o que tenho a lhe dizer,
mas é uma pena eu não querer gastar meu tempo contigo.
Cada dia é uma repetida reclamação diferente.
A morte torna-se uma boa saída para os teus problemas. Que tal?
Suas forças esgotam-se antes mesmo de consegui-las e,
diz tanto que as pessoas excluem a sua pessoa da pessoa delas;
no entanto, eu luto para que você não me exclua da sua.
(Se é que ainda faço parte da sua lista de requisitos básicos.)
Hoje eu aproveito todo o meu tempo desperdiçando minhas palavras,
mas por acaso, eu caso cada verso com o nosso descaso cansado.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Abril 20, 2007

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Vida Vida
Dizem que é só questão de tempo, porém o próprio nos enche de questões;
sempre mal elaboradas e, que no entanto, nunca sabemos a resposta de prontidão.
Pronto! Então, posso esperar de você ao menos um pouco de atenção?!
Sei que controvertirá dizendo que nunca valorizo o seu tempo...
mas pelo que eu me lembro, são seus erros que não refletem em seu espelho.
Talvez por você nunca caminhar, pois só não tropeça quem não sai do lugar...
ou simplesmente por querer fingir uma perfeição (totalmente imperfeita).
O que vi da vida? Será que um espelho reflete quem somos?
O que vi da vida? Seremos os mesmos daqui a uns anos?
E eu espero que não!

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Abril 03, 2007

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Reaproximação
Os dias aparentemente não passaram,
mas já faz tantos que nos dedos os meses não cabem.
Esse sincero exagero é só uma distorção de realidade,
porém não se distancia tanto da distância que acompanho.
Em meio aos nossos pré-julgamentos perde-se a verdadeira culpa;
só eu sei o que me preocupa... só eu convivo com meus questionamentos.
Afinal, quantos improvisos tem as suas desculpas?
Não espero uma afirmação já que a discussão é sempre evitada por ambos.
Agora até quando viver na frieza das nossas conversas,
se a pressa é o sinônimo da nossa lentidão?
Pois bem, dizer que sente a minha falta já auxilia na reaproximação.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Março 21, 2007

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Méritos em Débito
Estou distante dos meus princípios mais distintos
e dos distintivos que carrego no peito,
todos são sem méritos.
Onde deposito meus resquícios de vontade
para não esgotar-me antes do tempo?
Onde compro mais remédios para a minha sobra de tempo?
Sei que cresci diante de olhos esmagadores...
ex-inimigos amigáveis...
Crescer não é só uma evolução... é uma guerra contra o tempo.
Acho que estou envelhecendo; e os remédios não são somente para a sobra de tempo.
(Ou seria falta de tempo?)
Envelhecendo... envelhecen... envelhe... enve... en...
E o tempo, juntamente comigo, levou as sílabas do meu torto verso.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Março 10, 2007

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Retrato Mal-Falado
Começo do zero com um zelo inexato, porém exagerado.
Pois toda construção já nasce com seus dias contados...
Assim, desperto dos meus sonos, desligo-me em meus sonhos,
desconfio das trapaças, discuto com quaisquer versos,
só para arriscar e sofrer ameaças com discursos velhos.
Já cansei do gosto e da ferrugem em meus lábios;
estes, por vez, cansaram-se da inércia da voz muda.
Eu sei: a voz muda e, também, perde o tom quando convém;
ou quando vem algum imprevisto; ou quando cresço de repente.
Da voz de menino só sobrou o plágio na voz do irmão menor...
Hoje sinto-me como uma mistura das minhas estrofes
(que nem sempre foram minhas e nem sempre serão):
um emaranhado de palavras sem sentido...
e que se repetem... repetem-se entre si... e, repetirão...
muitas outras dezenas de vezes para diversificar o comum.
Se é para ser feito agora, nunca deixo para depois.
Mas se posso adiar... Até quando posso adiar mesmo?
Sinto-me dialogando comigo mesmo. Mesmo não sendo eu mesmo.
Mesmo não sendo o mesmo. Mesmo vivendo da mesma mesmice.
Mas mesmo assim, continuo andando com o mesmo trote.
Aquele que em muitos lugares já tropeçou e caiu,
mas levantou e voltou pelo caminho que seguia.
Estranho sentir tanta ligação e afinidade entre poemas
(se é que tudo isso tem uma qualificação literária),
mas é como ver meus dias transcritos em códigos
e, em pensamento, dizer: "E não é que valeu a pena?"
Pois, se não for desperdício... então!

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

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Vossa Senhoria
A absoluta certeza esfarela-se diante do seu poder acusador. Meça suas falhas e condutas, depois condene os meus possíveis méritos. Se não são válidos, prove que seus danos são coerentes e faça o público admirar-te.
Qualquer dia desses, vá fazer uma visita amigável; apesar de que minha casa é geralmente confundida com a do Diabo. Mas não se preocupe, eu sempre soube dividir a amizade dos negócios. Sorte a sua que preservo o bom senso!
Do sofá na sala é fácil assistir seus próximos planos (ou lendo revistas de fofocas). As personagens guiam seus rumos, seus olhares e as suas paixões a primeira vista. Até que assimilo a criação com o criador, mas não admito o entretenimento disfarçado de boas maneiras.
A propósito, o que significa "boas maneiras" para você?
Com toda sinceridade, eu não esperava nada mais que seu silêncio pertubante. Incrivelmente, mais uma de suas acusações cairia bem.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

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Enciclopédia Criptografada
Há tantos versos não escritos nas manchetes;
outros ignorados nas colunas sociais.
Desperdício transformado em crimes,
filmes com estrelas em telejornais.

Maltrato em tom de denúncia;
roubo, desvios, plágio e transação.
Tantas transas sem começo,
palavras no meio de um palavrão.

Vejo mudanças e crianças que não mudam,
encontro um mundo diferente do meu.
Cada canto de minha casa é um amigo;
Mas a poeira é a ausência que se deu.

Modernidade aqui é ilusão:
tem pernilongo, pilha gasta e carta do correio.
Desgraçada da paixão de fevereiro:
se não fosse para ficar, por que que veio?

Minha sombra só desconcentra e assusta;
talvez porque eu esteja tão confuso.
Ando nas mesmas calçadas que os ratos;
talvez porque eu seja mesmo obtuso.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Fevereiro 17, 2007

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Estrofes Distintas Em Dois Dias Diferentes
Do outro lado da linha escuto a sua voz absurda
dizendo entre tantos desabafos tantas palavras mudas.
Como se fosse eu o culpado da tua dor doída,
da tua ira mal comportada, dos seus afogamentos em bebida.
Então, transbordo-te de conselhos tão quanto esses,
fingindo lastimar sua tristeza, subversivando meus interesses.
Da sua paixão rompida restam apenas os choros
e as histórias compridas de mais um dos seus namoros.

Ontem sonhaste comigo como nunca talvez sonhara.
Teria sido uma vontade tímida que em sonho transformava?
Engraçado era cada comentário solto, sem graça e risonho;
cada paradoxo parodiado em beijos de um sonho.
Nos sentimos impedidos pelas pessoas, pelos contextos;
mas ao seu lado, minhas mãos perdem o dono com pretexto.
Pois até na incoerência há um sentido... sem sentido;
há também os dias que juntos corremos perigo.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

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Nuvens Ao Céu
Aqueles tempos dos dias normais
não passam de pobres lembranças
engolidas pela minha memória.
Hoje estou tão livre para a vida,
já não tenho vergonha de mostrar
as idiotices que escrevo.
Já não me importo tanto comigo!
Transformo minhas idéias
em letras unidas e separações...
Talvez, por isso, soe de forma tão confusa e;
por isso, talvez, não entenda nada.
Choraste enquanto eu comemorava mais uma derrota,
Dormi por mais um entardecer enquanto você sonhava...
Ainda escuto os solos das guitarras distorcidas;
ainda ouço os versos expelidos da tua boca.
Sua voz é o poema mais bonito que já ouvi,
sua delicada mão é a escolha mais visível...
Quero-te para sempre querer-te mais!
Não entendes?

texto original em 03/03/2005

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

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A Volta
Voltei pelo caminho que segui,
Não reclamei e seu destino logo percebi,
Me esqueci de esquecer de quem já me esqueceu.
Me lembrei de parabenizar o dono que morreu.

A diferença é o que faz o mundo e as cores.
Lágrimas nem sempre são de dores...
E a tristeza nem sempre é de dor...
E o desencanto nem sempre é de dor.

O feio também tem sua beleza.
É inperceptível os defeitos da natureza.
Quem sabe um dia a gente aprende a ver um mundo com outros olhos?
Quem sabe seu filho possa ter o mesmo nome que o meu
e se casar com a menina dos meus sonhos?

Não é possível querer mais que querer!
Tudo é força, mas ninguém tem o poder.
Para toda uma vida sempre há um coração,
Mas nem todo coração tem uma merecida vida.
Já nem preciso de frases e nem orações,
E nem mereço toda essa homenagem...
Essa desordem é selvagem;
E essa crise é só um poema;
E nossos braços não conseguem se segurar;
Nossa ganância é o maior peso.
Nossa ignorância é só ignorância;
E nossos sonhos ainda são esperanças...

A minha escolha não foi sua;
E você nem precisa responder.
Essa pergunta já se cansaram de fazer...
Lembre que eu já percebi o seu destino,
Não se esqueça!
Voltei pelo caminho que segui.

poema redescoberto
muito antigo

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

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Sobrinho, A Sobra
Em meu nome completo há um Sobrinho no sobrenome.
Vive excluído o Sobrinho solitário e sozinho...
Coitado! Seus tios não são mais irmãos de seus pais,
as tias não são filhas de seus avós naturais.
Ninguém conhece ninguém e por aí vai...
Henrique fora amigo de longa data; longa data não se falam.
Tanto se aventuraram nos primeiros cadernos do primário,
Mas... foi ficando em segundo... em terceiro... esquecido.
Riquinho, um apelido carinhoso, juntou-se com o riquinho Rafael.
Este mora do outro lado da vila sem nome em meu nome.
Hoje são excelentes amigos, mas más línguas não dizem ser só amizade.
Rafael e Henrique andam juntos o tempo todo quase todo o tempo.
Sobrinho já tentou refúgio na companhia dos irmãos gêmeos,
porém tanta igualdade acaba sendo maldade demais.
Agora fica Sobrinho, debruçado na janela e sozinho,
vendo dois conhecidos passarem sorrindo e sorrindo.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

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Da Náusea Aos Pensamentos
Náusea nos pensamentos de náuseas que tive;
repugnância digna de um digno adjetivo.
Pois, da vida, não levo nada que vi na vida
nem as batalhas de verbos dos verbos no infinitivo.

A vida é um navio vagabundo de qualquer pirata:
cheia de riscos e rabiscos, mas dura na queda.
Relevando a hipótese de um maltrato inimigo
surpreender-te pelas costas e levar tudo à merda.

Devo ser um louco no meio de tantos normais.
Estudam... trabalham... namoram... vivem...
enquanto divirto-me com excessos de nada;
num harém virtual, num virtual harém.

Não reclamo! nem tenho orgulho. Orgulho?!
Só quero atenção de verdade, mas não posso comprá-las.
A atenção não é uma mulher-menino de esquina:
não aluga-se nem é um comércio de roupas ou balas.

Pensamentos nas náuseas dos pensamentos que tenho;
repugno cada sol que repugna o meu sereno.
Porém, na vida não suei tudo que devia na vida,
mas suarei se for antídoto para este veneno.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

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A Traição Em Seus Diferentes Pontos de Vista
Com minha boca calava as suas risadas banguelas;
destruo agora as cenas de nossas lembranças singelas.
Sei que ser o que sou nunca foi plano seu,
também sei que um amor só é bom se doeu.
Por que há dias em que o dia parece mais tenebre?
Queria, neste instante, ser sua cama e descansar a tua febre...
tua dor de cabeça... teu desacato... a sua vontade da morte.
Desejo transformar-me em músculos, tornar-te mais forte.
Para enfrentar a quem mais fez o mal e amou...
enfim, retalhar o corpo deste animal que sou.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Janeiro 16, 2007

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Vestir-se
Ora estar novo ora ser bem velho;
calçar a camiseta e vestir o chinelo.
É hora de acordar o sono de ninguém;
hora de fazer saudades sem olhar a quem.

Saturo-me de falsas rimas falsas.
Rimas travestidas com apertadas calças.
Curioso transformar o homem em verbos;
humanizar intelectos, libertar os servos.

Canso a cada semana com céus cinzentos
e, descanso a dois dia da dor de dentro.
Com isso, foi-se o bom senso e o ar educado;
encaixo, a seguir, alguns versos desapropriados:

"Hoje, e somente hoje, é dia de ter preconceitos;
dia de provar a ninguém que todos são perfeitos.
Hoje mudaremos o mundo vendo telenovelas.
É dia de assistir as desgraças pelas janelas.

Do ontem e no amanhã, este está no meio...
É o dia de mostrar o quanto tudo é feio.
Só hoje, não verei graça na sainha das meninas.
O dia em que misturei o calor com a gasolina.

Quero ver tudo pegar fogo. Tudo pegar fogo!
Ver pegar fogo em tudo. Em tudo pegar fogo!
Pegar fogo! Pegar fogo! Queimar... arder...
Tudo em chamas eu quero... eu quero ver!"

Ora estar vivo ora ser morto...
Hora de voltar ao começo de novo.
Ora ser bem novo ora estar velho;
vestir a camiseta e calçar o chinelo.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

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Cantos e Cantos
Tão tropeços os meus cantos,
mofam de velhos e já são tantos.
Mas mal sei por onde andam,
se são meus, ou se ainda cantam.

Quantos cantos têm minha casa,
se agora é brasa e não há paredes?
Vejo um rosto magro que disfarça,
com um riso sem graça, a fome da sede.

Sede tem fome! A fome não cede!
Porém, o que incendeia são os olhos;
que vê com outros olhos, os cantos nas paredes
sopradas com prantos pelo vento de ódios.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Janeiro 14, 2007

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Depauperado
É... acabaram os meus derivados dias tenebres!
Hoje não há mais conversas maliciosas entre nós,
nem encontro restos de sonhos idealizados.
Meus sentimentos mais dolosos encerraram-se também.
Acabou o tempo infame e impróprio... Acabou o tempo!
Tiveram fim as idéias mentecaptas ou milagrosas.
Acaba agora, também, mais uma vontade de escrever.

Passou como as impiedosas brisas fracas.
Estas, com delicadeza, socam meu rosto
e enche-o de hematomas e deformações.
Enfraquecido! Conformado com o fracasso...
O empecilho era eu mesmo, ou melhor;
um coração encardido, com costuras e defeituoso.

É também indiferente, porém ainda martela.
Sente-se curado da dignidade que não sinto.
Sinceramente? Está triste como amores perfeitos;
está frustrado com o que parecia possível!

Já nem quero mais querer.
Amarei-te para não te ter?
Não tenho amor para gastar...
Só mais um começo terminado,
tão desigual como esse poema...
depauperado por você!

Antigo e reformulado!

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

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Palavras Acima
Pois faz silêncio dentro desse quarto abafado,
fedendo bafo de canela com suor de sapato.

Do escuro então, surgia a luz incandescente.
Quem deitado estava, agora está corrente...
pensativo era eu, na tarde madrugada clara
querendo rabiscar os versos que sempre apagara.
É fogo de palha como nunca ninguém viu;
uma vontade em volta de perigo e por um fio.

Corta o silêncio desse abafado quarto,
num papel sem pautas, o grafite arrastado.

Se as idéias em mente não parecem o que são,
e um diploma na parede nem esboça reação...
eu diria assim mesmo: "Não preciso de tática.
Os erros de português aprendo em matemática;
e a filosofia da vida, quem ensina é a sorte.
Porém, por culpa em ninguém, ainda te faz mais forte."

Pausa no ruidoso quarto quente,
a mão inquieta e insistente
em escrever as rimas sem rimas
que rimam com as palavras acima.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Janeiro 09, 2007

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Rua Sem Saída
Quando menino, meu mundo fazia mais sentido. O vento soprava mais forte, a pipa voava com mais graça no céu; na rua havia gramas por entre os paralelepípedos e os cachorros só latiam quando ouviam o barulho de buzinas cortando o ar.
Hoje parece tudo tão cinza. Com o vento veio a poeira que cega os olhos,
para a pipa o céu pesado de chuva sempre; na rua, as gramas ficaram por baixo do asfalto quente e os cachorros latem por ver crianças correndo nas calçadas.
Mas os vizinhos, esses parecem nunca mudar; sempre reclamando do barulho da criançada e, da bola na parede e, da bola na vidraça e, das pipas enroscadas nos fios de suas casas e, de qualquer coisa que não os agrada, porém os inveja.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

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Fico-Ou-Não-Fico?
Misturamos tanta vida com merda,
tanto tema sem porque nem causa,
tanto asfalto na mesma rua...
que acabamos não saindo de casa.
Repetem-se, a cada dia, mais e mais,
como as ondas de um mar amargo,
nossas conversas sem causa nem porquê,
em tons surdos e fora de cargo.
Seus maravilhosos desenhos coloridos
de fadas com mãos ancoradas... encardidas,
são horríveis por tamanha perfeição.
A moda dita as regras não perdidas...
A rima é que faz a ordem não programada.
Ligo o carro, acelero e vou-me embora.
Sei quando pego o embalo: é quando tu ri.
No fico-ou-não-fico? é que perco a hora!
Já se passam das três e, dois corpos no sofá.
Estendidos e mudos... sossegam e se beijam.
Porém, há mais beijos do que sossego. Convém?
Contudo, sufoco o tempo e dois corpos queixam-se.
Meus horrorosos desenhos desnutridos
de ogros com asas aluvadas... iludidas,
são lindos por escassez de exatidão;
mesmo em cadernos com folhas partidas.
Querida, não há nem haveria problema algum,
se quando ao seu lado ficamos sem assuntos,
bobos e calados... apenas com sorrisos nos lábios.
E que lábios! Basta com tudo... estamos juntos.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Janeiro 06, 2007

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Sem Estrelas
Mudei! Não sei se para melhor.
O tempo que passou, meu bem, eu sei de cor.
Coreografias em coro sem cor,
sobrevivo sem saber nem sobrepor.

Reclamas das gírias que uso sem perceber e,
das palavras erradas que insisto em escrever e,
dos beijos salgados que não dei-te e,
que pensei que tivesse sido em você!

Deite-se... aprecie a vista desse céu;
mesmo sem estrelas, ainda sendo céu.
Se só meu fosse, eu teria um céu.
E se tu me tivesses, eu seria só seu.

Ah... não há paisagem mais bonita,
nem tem vontade mais doída...
Ver seu céu ao lado do meu, querida,
é ter nossos sonhos no céu de nossas vidas.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Dezembro 31, 2006

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Tempos
Dessas sobras de planos guardemos apenas os alcançáveis,
aqueles que fazem sentido, ou ainda, os que cor não perderam.
Vamos juntar as migalhas, quem sabe algo melhor nos surpreenda;
e nessa nossa viagem no tempo possamos resgatar o esquecido.
É mesmo fascinante ver que não perdemos o brilho;
os nossos dentes velhos refletem os dias bem vividos.
Das tristezas não me lembro, já nem sei se existiram.
O fato é que crescemos nos amando e mentindo;
confesso: mais mentiras do que amor entre nós,
mas nada que faça estremecer ou curvinhar a voz.
E vinha contando do seu tempo de menina;
da vida saudável, porém vazia. Tempo de rimas.
Havia sorrisos e soluços engasgados... misturados;
nossas faces cruzavam-se num momento infantil.
Lembranças malvadas; dourado era o tempo de criança.
Já pulávamos partes, assim como pulávamos corda.
Saltitantes... brilhantes... brinquedos... briguentos;
depois faziamos as pazes cantando a ciranda maliciosa.
Entre no círculo. Arrisque! Provoque! Fique por um fio.
Conte verdades, invente histórias; faça o desafio.
Saudades dos tempos de escola, da professora de português;
de cansar brincando, de brincar cansado.
"- Sua vez de dizer o que na sua mente se passa."
Com toda exatidão, não hesitei. - "Lembro do nosso tempo de aventuras,
de se esconder em outras ruas, procurando um refúgio
para que nossas bocas sem urros pudessem se encontrar."
Vi um branco na face da outra que em desespero fingiu não lembrar.
Não preocupei-me, mudei de lembrança. "- Lembro dos antigos vizinhos,
daqueles que reclamavam sozinhos em ver a gente se divertir."
Os nossos outros amigos não vejo por onde andam.
Se ainda andam, não sabemos... talvez nunca saberemos.
Por tanto tempo juntos, agora vemos noutros mundos a solução.
Queria estar bem longe para sentir na pele a falta que me faz.
E se, hoje, eu não faço em ti nenhuma diferença,
talvez um dia amanheça com saudades de mim.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Dezembro 27, 2006

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A Perfeita Imperfeição
Perfeito foi o adormecer da noite
em que nossos sonos acumulados
rejeitaram as camas desarrumadas.
Sua face moribunda procurava
repouso no meu ombro magro;
por vezes tarado ao sentir
sua pele morna esquentar-me.
Em suas batalhas contra o cansaço,
quase fora derrotada na parte do cochilo.
Ficamos de dedos entrelaçados,
acariciando nervos e as dobras.
Eu ria de bobo... Gargalhava!
Gostoso sentir o seu peso
sentado neste sofá...
o filme chatérrimo na TV;
você sem sorrisos no olhar.
Reparava nas suas unhas vermelhas
que não combinam com sua pele,
nem com seus braços largos
nem com seus dedos grossos.
Não há proporção com seu corpo!
Olhei-te como monstro. Fiz cara feia!
Mas a imperfeição era só pensamento mundano.
No fim, reclamaste da minha inquietação.
Não revidei! Sosseguei-me,
ceguei-me e dormi antes que teus olhos!

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

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Zenit Polar
Ou dare is togtis, vecô melri e jege.
Lesses cédages sie rie docaftívoas
quilre e imet quo solrames um zone eurte.
Sé lie docafti quom lie quot... (eu quom lie zedo)!
Deu is togtis, vecô jegi e jege.
Ó dovotrade? Dometide o cilsirave?
Jeguo e jege! Sou fam sotí e mosme ziti redes...
Lesse fam sé Dous ó quom sibo, imet!

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

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Pô! Pai, leia com atenção!
Tão fácil é começar com uma negação,
que até esqueço-me das outras hipóteses.
Chega a ser grotesco dizer uma recusa,
excluindo das costas o peso de um sim.

Assim, o tempo passa enquanto fazemos nossas vidas
com conversas mal resolvidas e más promessas dispostas.
Suas portas deixam do lado de fora um corpo que passa frio;
mas o frio que hoje apavora, será o que amanhã esquenta,
com ou sem pimenta, os teus olhos de ardor.

Ah dor, se ela soubesse o meu ódio,
eu a cortava os pulsos e,
roubava as horas que ela furtou.
Ah dor, nesse relógio do tempo,
tudo parece tão lento que
mal esqueço que fora meu amor.

A morte não me é solução... não!
Matar não me é solução... não!
Trocar de nome não é solução... não!
Estraçalhar um coração... não
faria isso no momento,
pois o tempo ainda é lento...
e tudo pode mudar um dia.

Diálogos mal conversados e más dúvidas divididas? Sim!
Suas portas enchem de nojo minha alma fedida... sim!
Nunca mais elas verão destroços do meu corpo sacana.
As portas trancadas do seu coração outro alguém engana.
Sim, eu divirto minha vida... desgraçada!

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Dezembro 19, 2006

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De Repente
Sei pouco de mim,
tão mais desconheço os meus versos.
De alguém, eles arrancam suspiros?
Meus versos - que versos? - não comovem;
se estes, ao menos, são lidos.
Preciso variar mais!
Ainda vivo repetindo-me...
repetindo... repetindo...
e, repentinamente,
acontece algo: mudo o verso.
Porém, de que verso digo?
Todos dizem absolutamente nada!
Digo nada... permaneço em silêncio.
Minha vida - que vida? - sei bem;
se esta, ao menos, é vivida.
Preciso variar mais, pois,
ainda vivo repetindo-me...
repetindo... repetindo...
e, repentinamente,
acontece algo: mudo de vida.
Sei bem de mim,
tão mais reconheço os meus versos.
Alguém neles se inspiram?
Meus versos - e que versos! - comovem;
se estes, ao menos, são entendidos.
Preciso variar mais!
Ainda vivo repetindo-me...
repetindo... repetindo...
e, ...
repetindo!

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Dezembro 17, 2006

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Canção Sem Pé Nem Cabeça Nem Braço
Há muito não canto a música que fiz para ti;
não faço as coisas que coisam por ai
nem ponho as aspas quando hão de existir.
Pronto!
Conto os erros onde aqui houveram,
listo os problemas quais mal me disseram,
exibo cada palavra que rima com vida
mesmo querendo não rimar com nada.
Que tonto!
Sei que às vezes até exagero,
mas não há um porque nem tem mistério,
separo com vírgulas o que tenho de levar.

Sentado no banco, numa roda de amigos.
Bebida não falta, o que falta são amigos.
Eu não bebo nem bebo. Quem bebe são eles.
Os amigos que se bem conheço, esqueço.
Se não tem fofoca, despeço-me e levanto.
De malas prontas, vou para o meu canto...
pensar numa forma de tocar o que sinto.

Hoje reclama - te peguei pra Cristo.
Não faço nada, nada a fazer.
Amar você é no que mais insisto...
tanto isso que me faz sofrer.
E antes mesmo, se não te amasse,
já teria eu sofrido,
seu amor não correspondido.
A dor que sempre doeu.

Há muito venho te cantando em doces palavras;
não sei se conquisto... ou se convenço...
ou se com um lenço ajudo a enxugar seu choro.
De ti já bebi. Tão pouco que mal senti...
mas bebi! beberia tantas vezes mais.
Escrevo para tocar o que sinto por ti,
mesmo nem sendo canção... talvez nem poesia.
Confronto!
Se não tivesse em ti um outro,
estaria eu em seus braços tortos?
Fraca, ainda, é tua carne; eu sei... sabemos,
quase não resistiu da última vez.

... há quem diz que para ser poeta
tem de ser do mal, tem de ter dom,
um intelectual, ou um grande e bom leitor.
Para ser poeta não há regras.
Assim como não têm regras para o amor...
para o amar... para viver... para chorar...
e para um dicionário inteiro.
Dentre tudo isso, há muitas coisas que não coisam.
Não que contesto, talvez nem do contexto faça parte;
mas quem assim faz séquisso não deve gozar no final.

"- Quem se diz poeta que levante os braços!"
Arranco-os fora e boto fogo,
mesmo não querendo rimar nada.
Que tonto!
Sei que às vezes até exagero,
mas não tem porque nem teria mistério,
preparo com vírgulas o que teria de tocar.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

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Diga Algo Contra
Você, ainda assim, tão inocente,
(tão vazia de si mesma)...
vê nos devaneios da vida
a coerência e a certeza do que irá viver.
Tendo nos dentes o medo,
guardado em segredos, de se contradizer.

Pois não sei; eu que confundo atrizes,
consolo as tristes e não tenho nenhum santo,
posso então dirigir esse palco?

Há quem vê graça em metáforas, em conotações,
na figuração de algo incerto, porém correto.
Sinceridade é ser direto e, sempre ou quase,
manter o peito aberto, sem medo,
para que contradições passem despercebidas.
Não sou sincero nem cicatrizo feridas.

Se confundo é por variedade,
se consolo é por chantagem,
se não creio é por descrença.

Cadê você com aqueles olhos de perdida,
aparentando sempre um frio na barriga,
parecendo ter medo de viver?
Cadê sua face magra toda distorcida
no seu magro corpo cheio de parasitas
e seus pensamentos magrelos de doer?

Ficou para trás o nosso tempo de criança,
da lembrança de que o mundo não girava,
de rodar o corpo e sonhar bem alto.

Lá vem você. Toda menina;
toda cheia de si mesma.
Sorriso não cabe em seu rosto.
Vem saltitante, cantante e feliz.
Descobriu que na vida não vive
aquele que nunca se contradiz.

Se não confundo é por escassez,
se não consolo é que não agrado,
se creio foi por tanto descrer.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Dezembro 10, 2006

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Alegoria
Dentre todos nossos planos e pressas, ficou a promessa de que viviriamos mais. Sem contar com nossas escolhas que pareceram certas, mas como sempre, o certo se desfaz. Se não bastasse, a insegurança tomou tuas mãos, infiltrou-se em seu corpo e lá parasitou. Ainda há esperança doente em seus olhos, implorando ao tempo um amor que nunca amou.
Eu sei não há regras para se viver. Sei também que não tenho culpa, se o que te preocupa é o que me acalma. As nossas conversas, nem sempre sinceras, provocavam a alma; e disso sei bem, talvez tão melhor que você.
Não há exagero se o ciúme é cego, pois quando sossego é a hora que menos descanso; procurando em você marcas de um outro encanto. Assim é meu zelo, logo após o meu pranto. Não pela traição que eu via, mas pelo traido que era manso.
Dentre parágrafos de confissões e convites para facas e garfos, ficamos a sós e sozinhos ficamos. Cada um em seu lado, cada lado em seu canto. Com os pratos vazios, com o vazio das palavras. Há quanto tempo não conversávamos? Quanto tempo não conversamos!

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

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Um Verso A Mais Nada Sincero
Mais uma hora no relógio.
mais uma lógica sem seqüência.
Quem muito diz, mais reclama;
se pouco faz, diz mais ainda.

Alguns minutos para o relógio
soar a hora que menos espero.
Hora de ir embora, de dar adeus;
nos desperdimos sem nenhum beijo.

Estranho ver nossa mudança;
de casa em casa, de comportamentos.
Da cama ao banho, nada que eu sinta.
Um sentimento nada sincero.

Não mais suporto nossa desavença.
Se é que há. Há quem entenda?
Nosso problema sempre foi brincar demais;
e na seriedade continuar na brincadeira.

Nossos nomes correram nas bocas
mais malvadas de nossa vila.
Não sei o porquê, nem a maldade,
nem de mais nada entre nós.

Porém enquanto fazemos nossas vidas;
todos acumulam idade, fofocas e rugas.
Achando que o prazer não é certo,
que nem é verbo e que não se conjuga.

Agora me atraso de acordo com o relógio.
Ponteiros cansativos, tontos por girar.
Vou me embora... me despedindo...
Surpreendendo-me com nosso destino.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Dezembro 05, 2006

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Doce Mel Venenoso
Lendo as velhas letras no caderno,
lembro dos seus olhos cor-de-mel.
Nesses versos fedidos e sinceros;
vejo minhas lágrimas secas no papel.

Ainda se fosse de fato verdade
o que os fedidos versos diziam,
estaria eu feliz e falante e,
pelas ruas nossas bocas ririam.

Não quero forçar um reencontro,
nem nada fora de alcance.
Queria ter em seus olhos, querida,
os dias que não tive chance.

Agora novidades não há.
Se houvessem, eu diria.
Talvez, sorriria também;
mas por que sorrir
quando não há motivos?

Novidades ainda não há.
Se houvessem, não mudaria.
Apenas repetiria um verso;
mas por que repetir
quando não estão vivos?

Reescrevo, sem vontade nem força,
novos garranchos miudos no caderno.
Vejo nos seus olhos cor-de-mel
as rimas de um verso moderno.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

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O Ônibus
No balanço apertado da multidão no corredor;
acelera e freia, pula e sacode. Todos desengonçados
discutem novela, reclamam da vida e do calor.
As crianças, desprendidas, só encontram diversão,
e se há buraco na avenida... (montanha-russa)
... geralmente, só aumenta a reclamação.
Dia desses, bem lá no fundo, vinha um casal
dizendo sobre casamentos. Não conversavam;
palestravam. Uma bobeira que só!
Dei o sinal, cumprimentei o cobrador,
desci despressa e lá dentro a pressa ficou.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Novembro 30, 2006

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Farto Poema das Faltas
Põe mais sal, tem pouca comida;
Falta a salada, falta a bebida.
A mesa falta, falta a família,
a reza longa; mas tem fome e fadiga.
Falta tempero, nó na barriga;
a gula de uns acaba em briga.
Falta o arroz, falta a marmita;
resta a bebida matar a sede.
Cadê a água? Cadê a rede?
O pé descalço, o chão quente;
falta a tinta pintar a parede.
Para um banho falta o sabonete;
falta vergonha para limpar os dentes.
O que não falta é amor entre a gente!
Falta miséria, falta cautela;
não vão à escola, não vejo novela.
Restam homens, faltam donzelas;
matam árvores, sobram velas;
faltam problemas e cinderelas.
Falto com a sorte, fartam dilemas;
escassez de poesia nos meus poemas.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Novembro 28, 2006

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Passeio A Um Lugar Distante
A campainha chata toca e não é ninguém;
o vento que passa pela porta,
entra sem a licença: está tudo bem.
Um louco riu a toa e tonto;
eu num outro canto,
não conto vantagem.
Se vai andando para longe,
eu te dou a bença
e boa viagem.
Não sei o que me falta agora,
se quando vai embora
é quando eu me encontro.
Eu sei que sempre perco a hora,
mas se o mundo cai lá fora,
me tranco aqui dentro.
O problema é correr perigo;
correndo junto contigo
e com minhas palavras.
Hoje não vou sair não!
Ficar em casa lendo nada,
duplicando a graça
e dar-te como desculpas.
Quando a viagem acabar,
passe lá em casa,
dê um sinal e
saia correndo.
A campainha chata toca...

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Novembro 27, 2006

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Hoje Ainda
Há um coração completo em gotas sonoras
para fazer a calma de uma mente incompleta.
Talvez seja mesmo algo importante
transformado em questões de um teste sem fim.
A chuva lá fora, cá dentro cai.
Gotas de pedras fazem lembrar da tarde de ontem.
Só sem sono sabemos como é ficar sem dormir,
como se dormir fosse um belo descanso.
Um abraço para sentir;
uma canção para cantar;
um sorriso tímido a se esconder;
a timidez para se molhar.
Agora, feche a porta e tome nota,
pois se não se importa,
tenho um sono para cuidar
e um tal de vestibular.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Novembro 26, 2006

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Saudade Falada
Quero não sentir falta de alguém.
Sentir falta de ninguém.
Falta de alguém.
Ninguém sente falta de alguém.
Falta de ninguém?
Alguém.
Quero sentir falta de ninguém.
Sentir falta de alguém.
Falta de ninguém.
Alguém não sente falta de ninguém.
Falta de alguém?
Ninguém.
Sentirá falta de alguém
ou ninguém faz falta?
Sinto falta de alguém.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Novembro 25, 2006

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Anedotas De Uma Vida Sonhada
Estou cá esperando o passar do tempo.
Bem dissera que a vida é uma surpresa,
tal como um copo d'água sobre a mesa
querendo ser derrubado por uma alheia mão.

Posso não gostar de seus beijos,
mas perco-me com teu sorriso.
De tanta força, leva ao paraíso
toda a falta de juízo meu.

Agora, suas carícias com os lábios,
língua, dentes, saliva e bafo
são para mim de tanto agrado
que castigo é não ter-te ao lado meu.

Estou cá esperando-te passar com o vento.
Bem disse que a vida era uma surpresa,
tal como um prato vazio sobre a mesa
querendo ser feito de areia do mar.

Graças ao meu apego,
toda vez que a vejo
é de se espantar.
Eu grato de não ter servido
a ti como um marido
sem poder sonhar.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Novembro 24, 2006

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O Encaixe Do Ponto Que Se Repete
Quando penso duas vezes em como agir,
preciso de uma outra chance de pensar.
A cada tentativa, acerto com os erros;
cada sinônimo é um desvio com o mesmo fim.
Há quem diz que versos brancos não rimam
e o surreal é acreditar que rimam sim;
para o leitor, o que importa é só clichê.

Talvez, às vezes, o que escrevo sobre você
não venha a ser nada de tão ruim.
São só palavras embaralhadas, sem sentido,
que se repetem, se repetem comigo.

Se quando penso como devo agir;
acabo por tropeçar em uma contradição.
A cada verso, bocejo com os olhos;
Cada antônimo é um caminho oposto do fim.
Culpa da ironia do destino,
que quando me viu menino disse:
- Serás um Zé qualquer como ninguém.

Às vezes, talvez, o que leio sobre você
venha a ser tudo tão bom.
São tantas palavras enfileiradas em ordem,
que se encaixam, se encaixam comigo.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Novembro 23, 2006

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Ambulante
Na janela por onde o vento passa,
entra um mal cheiro de terra molhada.
Cheiro de chuva misturado com fumaça.
Ah! Eu não gostei não!
A Roberta Miranda no último volume
foi cuspida da casa da vizinha como
água suja dos canos de esgoto.
A perua branca dos ovos sobe a rua
reclamando e propagando, com aquele megafone,
toda sua ironia e meu despertador.
Ah! Eu não queria acordar!
Depois a buzina do pão,
o caminhão entregando um fogão,
o ruído do motor do portão
e meu sono não voltou mais não.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Novembro 22, 2006

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Balé das Oito Pernas
Aos dez era garoto.
Pobre menino!
Aos quinze fui um broto.
Aos vinte não sou nada.
Tropeço nas minhas próprias palavras
e perco a guerra fria na conquista do território.
O leite derramado. Agora choro!
Por hoje, sou um porco.
Um canalha disfarçado de culpa
nas cadeiras de uma sessão de cinema.
Sou um infiltrado e quem diria um frio na barriga.
Ou uma reclamação. Ou uma chuva de verão
que só molha, mas não resfria.
Antes eu era um grilo;
agora o grilo não é mais nada.
Coitado! Mal sabe das coisas que se passam...
E das vidas que se entrelaçam,
nem todas pertencem ao mesmo laço.
O nó que faço, desfaço.
Aos vinte eu me engasgo
e tropeço nas linhas dos meus traços.
Do turbilhão de avisos
ao estouro de uma mágoa.
Um vacilo cometido por mãos
que não esmurram, mas machucam.
E terminam, e machucam;
e começam; e terminam.
E machucam com murros invisíveis.
Num ano, vivi três vezes
em dois dias diferentes
para crescer mais cinco anos.
Aos vinte e cinco, sou risada.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Novembro 21, 2006

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Desconfiança Nos Piores Dias
Ontem foi muito estranho.
Tão estranho quanto ontem,
somente um hoje como nunca.
Sucede o ontem tão estranho,
o hoje estranho tão vazio,
pois vazio como o estranho
só um ontem sem um hoje.
Hoje está tudo estranho.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Novembro 20, 2006

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O Engano Injusto
Dia de matar saudade;
de sonhar bem alto
com os pés no chão.
Hora de ficar deitado,
pensando em algo
com o coração.
Morro a cada minuto
e o engano injusto
não está aqui não.
É uma música silenciosa,
que mesmo sendo prosa,
todos cantarão.
Pois hoje é dia de matar saudade,
de acordar bem tarde
e perde-se na multidão.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Novembro 19, 2006

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Oculto, ou útil, o culto ou fútil
Hoje a curiosidade é um crime,
pois na ousadia d'um clique
alguém vai te notar.
E mesmo que crime não fosse,
já nos conhecemos antes mesmo
d'eu te encontrar.
Então, diz que nosso encontro
foi para somarmos pontos
e no mesmo time jogar.
Se escrevo com letras bonitas,
há um sinal na escrita
que vou te contar:
- Sempre que bonitas letras
preenchem tortas linhas retas
é porque estou a errar.
E mesmo que crime não fosse,
já teria te tomado posse
e com rimas remar.
Então, não diz que somos fúteis
por apenas parecermos inúteis.
Deixe o tempo passar!
Se escrevo com letras garridas,
há um sinal na escrita
da qual não posso falar.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Novembro 18, 2006

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A Canção das Camarilians
Em uma espera no corredor da vida,
vejo a multidão de medos valentes.
"Sou feio, mas vivo!" - diriamos em coro.
Pois o pior medo é o medo de amar,
de tossir um vazio sem suspirar no fim.

Não há filosofia em zombar da vida,
se rio o tempo todo é a graça da ironia.
Nem tudo é engraçado ou divertido,
nem nostalgia, nem colorido.
Às vezes, estresso-me e, escrevo poesia.

Na longa espera da curta vida,
insisto em temer o amor em si.
Até acho que preciso de uma canção
que aponte uma direção a mim,
pois tenho medo de amar demais.

Quando o beijo dela não mais satisfaz,
e as saudades são mensagens sem rimas,
o que há entre nós? Explique-me, amigo,
com as suas teorias e experiências.
O que há de errado entre nós?

Pois se há obstáculo maior nessa vida,
é fazer dos erros, grandes feridas.
e não deixar que elas se cicatrizem.
Tristeza maior não há, amigo.
Não há desafio maior que não saber
o que é amar.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Novembro 17, 2006

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Balé dos Pés Descalços
Das semanas que passaram,
a última pareceu tão rápida.
Não sei se foi o sábado,
muito menos o que antecedeu.
Pois dizia: "Por baixo dos panos."
E fiquei sem entender. Tão grilo que sou
com um nó na cabeça!
Nos encontramos descendo as escadas,
subindo os degraus, passo-a-passo,
abraçamos os corpos e subimos as escadas.
Antes, disse alguém: "Ano que vem namoram mais!"
E sorrimos para agradá-lo e sem muito papo
pensei eu: "Ano que vem está longe demais."
As luzes acesas anunciavam o fim.
Despedida chata! A música parada
celou os passos da nossa dança.
E você dançava descalça e baixa.
E nós dançavamos escondidos.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Novembro 16, 2006

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Poesia Contemporânea
Com carbono entre os dedos,
escrevo versos tortos e feios.
Poesia contemporânea,
exalo rimas cotidianas
que não rimam em nada.
Eu abuso dos sons repititivos
e da força nos dedos magros
sem motivos por estarem escrevendo
os mesmos versos fracos.
A cada erro, eu uso a borracha;
a letra deforma a beleza estática.
Não sou poeta, mas brinco com palavras
simples, vulgares e enigmáticas.
Além das metáforas, vejo antíteses
e todas figuras que aqui existem.
Vejo o passado fazendo presença,
construindo o presente e, nos
presenteando com esperanças.
De olhos fechados ainda vejo;
pois no toque de um beijo,
sinto que sei o caminho inteiro.
Tenho vontades a todo momento
e a mão insiste em não parar.
A caligrafia variada em desenhos
freia nesta linha embaraçosa;
embaraçada como pernas de corpos distintos.
Velho caderno que mal suporta
o poder desses versos sem valor.
Eu viro a página, pego a borracha
e apago antigas palavras escritas.
Não lembro a quem se referiam.
(Finjo não lembrar. Prefiro não lembrar.)
Próximo dos meus vinte, percebo que
até no sorriso dos ouvintes surdos e
no dos banguelos mudos, há vida vivida.
É pecado não vivê-la.
Assim te libertei das minhas garras mansas.
Tua fúria nocauteou minha possessividade
quando ser só amigo, a mim não bastava.
Aprenderei ver-te com outros olhos;
com olhos abertos, corretos e retos.
Disse: "Ou estamos juntos, ou não nos conhecemos."
Realmente parece que somos assim.
A mão cansando e a estrofe é única,
já grande e não quer acabar...
Agora eu me apaixono outra vez (por outro alguém)
e acabo escrevendo algo como isto.
Poesia contemporânea;
exclamo rimas cotidianas
que não rimam em nada.
Tu abraças meus dons repetitivos
e os meus braços cansados
sem motivos por estarem abraçados
nesses próprios versos fracos.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Novembro 15, 2006

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Rarefeito
Ainda farei o tempo voltar.
eu sei que é difícil.
mas será que não posso?
Eu poderia agora ter um troço
que morreria eu feliz.
Não que quisesse,
nem que eu nunca quis.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Novembro 12, 2006

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Conto Até Três
Os poetas de hoje não têm vez.
Cortaram o sonho de qualquer
que se atreva a mexer com palavras.
Tão grandes e tantos já existem,
que não há um poema nunca feito!
Aqueles nojentos que devoro,
apossaram-se das rimas, dos versos.
É tudo deles! Se foram e ficaram!
Um chamava-se Raimundo sem solução,
o outro morava no... "Onde Moraes mora?"
Vive junto com o gauche. Na mesma casa
em que todo brasileiro adora.
Mas voltando da viagem,
eu mato a saudade
e conto até três:
a poesia de hoje não têm vez.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Novembro 10, 2006

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Nada Por Nada
Perco minha concentração
numa mesa de bilhar,
depois não tenho tempo
para o vestibular.

Será que mesmo assim,
eu tenho chances de passar?
(Rimas feias fazem
sentidos para mim!)

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Novembro 09, 2006

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Absolutismo
Na luta,
sou o luto, pois
eu já estou puto.
Só luto. Soluto e
solução. Abstrato,
absoluto. Lutismo.
Luz da razão.
Puta merda!

Exatas são
chatas. É
meio, é nada.
Tapas e tapas.
Murros, bolachas.
Etapas são
chatas. E-mail?
É nada. Puta merda!

Está lento
o vento que bate,
pois o pensamento
quer que assim seja.
A cerveja me embriaga.
Talento? Sim, "tá" lento.
Deixa estar, mas
que puta merda!

Sossego e
sou cego. Sem
óleos, sem horas.
A sós, só e somente.
Sufoco perdido entre
a gente. Sou foco:
exigente e ex-gente.
Escova sem cerdas. Puta merda!

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Novembro 08, 2006

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Politicamente Incorreto
As'oreia du minino,
suja de cera d'ouvido,
escutavam atentamente a conversa
do casal ao lado.
As'oreia grande du minino.
Grandes mesmo!
Escutavam surdamente a conversa
dos políticos na TV.
Minhas'oreia, suporte d'óculos,
não escutam nada quando querem.

Na terra do petróleo preto,
quem não fala direito
é preso por crimes inafiançáveis.
Pretróleo, camará!

"Hoje o dia não escurece."
- diz o repórter.
A água não precipitará.
Mas óia a chuva, camará!

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Novembro 07, 2006

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Trinta Minutos
Dois goles de café
p'ra me deixar de pé
e enfrentar esta madrugada em claro.
Com um sorriso em vão,
seu sono no colchão
e na TV, o ruído de um disparo.
As fechadas páginas vazias
do livro na escrivaninha
fazem lembrar dos dias que ficaram p'ra trás.
As luzes da cozinha
gotejam sobre a louça na pia
um brilho que já não quer brilhar mais.

Então, se o que resta é o presente
e as estranhas surpresas da vida,
há porque nos preocuparmos com o futuro?
Não fazer o que sentes,
talvez já seja um bom motivo
para quebrar a própria face em murros!

Pois dormes porque quer,
minhas meias de chulé
amarga o ar que perfuma nosso quarto.
Dou um sorriso então,
e se eu durmo no colchão
é que a TV, eu sempre descarto.
Dos dias e do livro,
já não corro perigo:
esses já não mais me interessam.
Agora a cozinha e seu brilho
claro, fosco e sem brilho,
são os problemas que me estressam.

Disse:
- Se queres algo agora,
passe em meia hora.
Estou sem tempo p'ra você.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Novembro 06, 2006

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O Certo Com A Pessoa Errada
Os neurônios tropeçam nos pedregulhos
dos meus largos pensamentos estreitos.
Fazem congestionar-me todo em delírios.
Ah, se eu soubesse realmente voltar
pela estrada que segui;
eu veria todos meus erros convertidos em
vitórias e medalhas. As lágrimas lavariam
um rosto imundo. Talvez, o meu. Sim;
já não me reconheço mais. Cresci e mudei!
Posso dizer o mesmo de ti, camaleão?
Achas que pode sempre mudar,
se nem mesmo sabe quem és?
Seu mundo de contradições e descartes.
Ah, sou só mais um espectador de vidas
alheias. Forma ou conteúdo?
E meus neurônios caem, esfarelam-se e
nascem outra vez. Nascem outra vez.
Morrem... cresci e continuo o mesmo!

5 meses após o "Retomando Velhos Hábitos"

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Novembro 03, 2006

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Era Dia, Logo...
Depois de um cochilo
demorado, cutuquei-a:
- Ah... hoje não, amor.
Estou cansada.

Voz rouca e desnutrida.
Mal me importei,
virei-me
e voltei a dormir.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Novembro 01, 2006

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Teimosia Maleável e Escalar
Vejo as fotos em meus
álbuns coloridos;
Imagens velhas de
infantis crianças.

Nós com
suor nos rostos
reinventando outra
brincadeira qualquer,
só para não ter hora de
descanso. Fotos sem legendas.
"Por que é que isso te irrita tanto?
Se quando havia, você havia de resmungar."


E ainda reclamo.
Na hora de sono,
diz: "Vou dormir."
Eu não abro a boca:
essa é minha resposta.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Outubro 31, 2006

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Valentina Caran
Num bar d'hotel, estou a olhar (sem pretensões),
uma garota que não sabe nem andar
de mãos abraçadas com um outro rapaz.
Eu via preconceito nos vidros dos carros,
nas placas de "vende-se", no toque do celular;
Enquanto que os magrelos corpulentos gargalham
e se divertem na mesa de bilhar. Ora pois,
o que há de errado em não querer dançar?

Com chaves no bolso ao estacionamento vazio;
o rádio zumbindo, eu de olhos fechados...
com meu corpo a descansar. Ora pois,
o que há de certo nessa minha vida?
Preciso de um novo ar para respirar
e de uma garota que saiba andar
de mãos dadas com um rapaz. Pois olha,
vende-se um prédio logo a nossa frente!

Hoje, o amor é uma propaganda de TV:
em pequenos intervalos,
vemos anúncios diferentes. Ora pois,
mude de canal, ou desligue-a de vez.
Se há sinônimo de amar, este sim,
tem mais valor: o silêncio dos gestos
seguido de suspiros na respiração.
Ora então, o que há de errado em vender amor?

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Outubro 30, 2006

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Ela É Incrível
Acho que meus dias tediosos tiveram um fim. O céu me presenteou com alguém que eu nunca imaginaria encontrar. Sabe aquela sensação de quando as costas estão cobertas de pedras e tijolos e, tudo alivia quando vimos alguém? Sabe aquela situação de quando não temos saída das nossas escolhas e tudo se encaixa quando ela solta um comentário? Então, o que isso quer dizer?
Tanto pensei antes mesmo de tentar e até acho que ela deve me achar um idiota quando estou por perto. Sem nenhuma atitude, sem nenhuma reação, sem porra nenhuma a dizer. O imbecil a se envergonhar.

11/10/05

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Outubro 27, 2006

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Meu Beijo
Eu beijo mal.
Sem açúcar,
nem sal.
Sem tempero algum.
Coitado!
É azedo e amargo.
Um beijo ruim.
Nojento!
Eu beijo mal.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Outubro 25, 2006

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Vermífugo e Desabafo. Cigarro e Indagação.
A breve indagação após mais uma de
suas crises de teorias ultrapassadas,
nos fez pensar melhor sobre as condições
em que viveremos cada tom de amargura.

Me diz porque complicamos tanto,
ao invés de erguemos as bandeiras brancas,
afim de respirarmos um novo ar.
Pulmões rosas inspiram fumaça. Fumaça!

Seu choro faz-me rir.
Cada lágrima sua ilustra o brilho de meus dentes.
Não te entendo, choro sarcástico. Choro alegre
de soro triste. Tristeza é ambigüidade.

Onde estará seu limite entre o aproveite o dia
e o exagero de seus atos? Onde estará?
O que te botas medo? O que te amedronta?
Quem são seus amigos? Quais são suas cartas?

Descarte-me como fez com os outros
e verás com qual assombro te esperas.
Não peço para preservar-me em sua vida,
só que corações não são pedras lascadas.

Ou, poderá ainda, escrever a receita em minhas mãos;
para que não me esqueça como é esquecer-te.
Assim espero, mesmo ainda sendo feito de contradições,
ser um pobre escravo sem dono. Livre! mesmo pobre.

A breve indagação após mais uma de
suas crises de teorias antiquadas,
fez-me crer nas impossibilidades em
seguirmos uma vida a dois. A mil.

Diga o quanto me amas que digo, eu,
quantas mentiras sinceras contaste.
Contrastes entre homens e mulheres.
Assim somos, eu e você. Sem mais você!

Quem são seus amigos?
Esses que te enchem de nada?
Amigos temporários. Copos descartáveis.
Fumaça no pulmão que expiro. Cinza rosado!

Fedidas São As Bocas Que Ferem
Tenho nojo das bocas. Que horrível!
Cospem palavras sujas. Elas cospem.
Bocas têm dentes, línguas e saliva.
Se beijam as bocas, línguas duelam.

Outubro, encontrei três bocas:
Uma que já não tem mais graça.
Outra, não me padeceu em nada.
A restante aqueceu-me o corpo.

Da última, foi uma noite inteira;
Lembramos do primeiro beijo e da
bebedeira. Foi na casa pequena.
Bocas cantavam e se beijavam.

Tenho nojo de bocas. Que horrível!
Vomitam comida crua. Elas vomitam.
Bocas têm mau hálito. Não gosto de
bocas. Aliás, das que eu não conheço.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Outubro 23, 2006

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Ruídos ao Pé da Letra?
Dois pontos gritam: Exclamação!
Respondo com reticências... sem ponto final
Os dois pontos, com cara de interrogação,
fazem um não de negação. Eu digo:
Tremas acentos travessões ao inferno
(Sem vírgulas, nem pontuações.)
Ponto-vírgula entres aspas. Obrigado.

O Exagero de um Tolo
Confie em mim que tudo vai dar certo,
Mas o seu erro foi o mesmo para todos.
Tenho medo do perigo estar por perto.
Somos gigantes, mas ainda somos poucos!

Mesmo sem brincar de detetive
Já sabiamos que estava meio diferente.
E a certeza que eu sempre tive,
Pensavam que estavam enganando a gente.

E o que me preocupa é sempre você,
Apaixonada pelo que você não merece;
Reagindo contra aquele que sempre te persegue;
Tirando do ármario velhos trapos;
Humilhando o teu próximo pelo passado;
Usando da saudade a solidão,
Risadas para disfarçar que sofre.

Mas só ri das cicatrizes aquele que nunca se machucou...
Só ri das cicatrizes aquele que nunca se machucou!

Empoeirado, coitado! Tão velhinho ...

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Outubro 22, 2006

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Recíproca
Essa inequação que existe entre suas vontades e meu querer propõe um novo modo de pensar. Já que para você, nossos valores estão além do que parece, por que é que não agimos conforme tudo indica? Tantos erros triunfantes que erguemos e fizemos questão de nos orgulhar. Há algum outro motivo sem ser seu desinteresse?
A cor de seu cabelo desbota a cada quinzena e o meu apego diminui a cada madrugada. Não espero repetir palavras, mas já não tenho medo de mais nada. Aconteça o que for melhor, eu sem você (você sem mim), já me conformei em ter tantas incertezas. Pois até em encontros, nos desencontramos. Há quem diga que ainda somos os mesmos: só se for para você. Fartei de esperar um sinal de esperança. Ao menos, não me alimentei com nenhuma.
Se nem a mim sinto dono, achas que posso ser sua posse? Vou me domar melhor numa próxima vez. Lavo as mãos e as enxugo mais tarde.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Outubro 20, 2006

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Piração, Palavras, Paredes...
Tiro o empoeirado violão do seu canto favorito,
Assopro a poeira, arranho acordes indecifráveis.
Cifro cada refrão repetitivo que perfura meu cérebro
em marteladas impiedosas. Sem piedade. Piração!
Em seis cordas, perco-me como o corpo numa rede...
Os versos (livres) acompanham uma melodia arritmada,
uma horripilância aos ouvidos de ninguém. Ninguém?
Aos meus próprios, não consigo enganar. Piração!
Então, deposito o barulho em seu lugar perfeito.
Inferno ruidoso, amargos sons sem sentindo.
Não era agradável tocar-te, poeira encardida.
Violão quebrado. Pareço pirar; piração!
Martelos sem piedade ancoram mais um refrão.
Nos meus pensamentos ardidos amargam mais um refrão.
Cabeça e joelhos amargos ardem mais um refrão.
Soníferos, soros e sons arritmados soam em mais um refrão.
Restos, ranços e rostos suados arritmam mais um refrão.
Piração, palavras e paredes parecem mais uma canção.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Outubro 19, 2006

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As Histórias Maravilhosas de Edward Bloom
O dedo torto, a aliança se desfaz com rapidez na boca do peixe,
São tantos contos que pouco importa o que fez nas suas tardes quentes.
Galhos secos e os sapatos no varal, aranhas que tropeçam em nossas vestes;
Gigante amedronta a cidade e eu certo de que não era a minha vez...
Com tanta fome, tanto vazio no olhar, o tempo parou quando eu te vi...
E foi tão longo quanto bonito ao ter um campo de amarelos narcisos.
Murros na face, mesmo com sangue, ainda ao cair esbanjei sorriso.
Diz então amor, que quando voltar teremos nossa casa com
Cercas brancas, telhado cor-de-brasa e um filho a brincar na varanda.
O olho de vidro me tranqüilizou em tantas aventuras das quais
Mantive o brilho, a coragem, a sutileza e muito mais...
"Acreditei nas suas histórias mais do que devia
E montei quebra-cabeça para descobrir quem realmente existia"
Ladrão de banco, enriqueci o velho poeta com dicas sem esforço,
E japonesas se desgrudaram quando na imaginação eram do mesmo corpo.
Cadeiras de rodas, a maratona contra o tempo transposto...
E são muitos, mas não se vê ninguém com a tristeza no rosto...
O rio cuidou de me levar, mas o brilho dourado ficou em mãos,
De quem não era objetivo, do que tornará-se uma paixão.
Seria mesmo esse fim que o olho me mostrou?
Será mesmo esse o fim que meu filho esperou?

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Outubro 18, 2006

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Outubro: Mês do Veneno!
Quente colo confortável em que deito meu peso;
Perco-me nas pálpebras fechadas do meu corpo.
Um navegar de sono! Não vou trocar de trono.
Sou todo seu, colo meu, como nunca de ninguém fui;
É descanso de um cansaço de nada. Cansaço por nada!
Carícia no pé do cabelo cheirando fumaça (de cigarro).
Pobre, suado! De quem falo nesta hora da madrugada?
Hora de esquecimentos! Digo das incertezas; pois,
Se repito um erro, é sexta que nos veremos. Colo...
de coxas finas e vestes nuas, escutas minha voz?
Responda com um balançar e volto a fingir que durmo.
É voltar a dormir um sono de nada. Sono por nada!

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Outubro 17, 2006

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Maltrato em Tom de Denúncia
O céu todo azul fez-se cinzento com o poder das palavras:
"Vai chover." - era o que dizia com voz trêmula e incerta.
Ao certo, não sei porque tanta água caia nas minhas costas
estreitas. Coitadas! Ardiam feito chama em couro, fogo em pele.
A cada golpe desviava o olhar molhado de vossa estupidez.
Mais tapas, mais ardência em meu corpo. Ardor que doia!
Não era como o Amor. Ardia e eu via tal dor. Ardia!
Seu céu pesou em meus ombros. Tempo ao tempo ...
Ainda espero, já cansado. Quando nossas vidas decidirão
se encontrar? Sentei, deitei, levantei, chorei em pé.
Pesado ainda era meu corpo. Pensava: "Tanto desgasto."
Vida, sou eu. Acordei e vim te visitar. Não trago presentes;
não trago vestígios; não trago segredos; não trago nem fumo.
Só trago restos de réguas quebradas. Milimetradas! Metrificadas!
Mastigadas! Minimizadas! Sem tréguas, sem regras, sem marcas.
Trago a chuva ácida que corroe minhas costas vermelhas.
Vida, trouxe o céu azul de volta. Eu trouxe alegria;
Eu planto tristeza em solos não fertéis. Maltrato minhas costas!

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Outubro 16, 2006

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Parênteses
Estrada minha que corri com os dedos,
segundos antes do começo, seguindo com metáforas
nada rebuscadas, porém ainda, nada de pistas.
Se estas, só em teu corpo estão escondidas;
negra pele Clara de poucos encontros. Funde comigo;
confundem quase sempre. Como saber o que somos?
Desde o primeiro encontro. Da embriaguez ao beijo,
em ressaca um desfecho! Foi ponto de reticências;
porém entre parênteses. Esquecemos grande parte
de uma parte que já sabíamos de cor. Claro que sim...
É sarna! É sangue! É saudade! São segundos
antes do começo. Bebo-te em goles gulosos.
Mordo com os dedos e arranco pedaços de lábios.
Feridas que haverão de se lembrar de mim.
Vem cá, vai lá? Iremos aonde quisermos, amiga.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Outubro 10, 2006

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Bate Forte, Quebra A Alma
Eu saio com os demônios de final de semana; escrevo canções nunca cantadas por ninguém; converso teorias mal elaboradas com os mais próximos; beijo bocas quando convém (ou quando vêm) e, cuspo no chão quando com nojo. Eu decepciono admiradoras secretas, sou flexível e tolerante até demais. Guardo segredos do mesmo modo que ninguém guarda, acho o virtual bem mais fácil e muito mais desumano, apesar de parecer sincero. Gosto das rimas que não rimam e de gargalhadas engasgadas ao redor da mesa. Falo de mulher quando acaba o assunto. Falo com mulheres para ter assuntos. Misturo poesia com a bebida e acabo falando de futebol. Sou um para uns, outro para outros. Já tive uma história de amor que virou uma piada. Tenho uma história de amor que é uma piada. Aliás, sou uma piada quando convém (ou quando vem).

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Outubro 07, 2006

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Cúmplices
As mesmas roupas vestidas da noite passada
Sujas das desgraças que você me ofereceu.
Não pense que te desculparei por ter apenas pedido,
Seus erros não serão confundidos com os meus!

Na verdade até mudei meus pensamentos
Depois dos dias trocados pelas noites.
O sono eu deixei para os sem talentos
E o universo dentro de meu travesseiro.

Em dias monótonos, presumo que sejam todos,
faço os loucos rirem de minhas caretas.
Nas noites claras, finjo que seja só esta,
exponho minha feiura e não acho que eu convenço alguém.

E nós que sempre achamos que estaremos juntos
Viver na incerteza é um costume a lutar;
Mas mesmo assim me considero mais forte
E fiz meu passado no destino mudar ...

Quem pensou que eu chegaria até aqui?
Todos se surpreendem com minha presença
Se emocionam e marejam os olhos...
Sempre contei com você, mas nunca pude sentir seu abraço!

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Outubro 04, 2006

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O Menino É Pai Do Homem
Nos meus onze anos, numa data próxima ao meu aniversário; meu pai havia chegado bêbado em casa. Beber não era costume dele (ou melhor, ainda não havia tornado um), mas sempre passava no bar da esquina de casa, depois do trabalho, para encontrar os amigos.
Mamãe não encontrava mal nenhum nisso. Algumas vezes até reconhecia que papai chegava menos estressado, ainda mais depois de um árduo dia de trabalho; porém desta vez, ela não suportou o fato da embriagues.
Eu havia visto papai naquele estado apenas uma vez porque mamãe tirou-me de perto dele das outras três vezes, e sempre agia agressivamente quando estava embriagado. Dizia a mim que bebia para aliviar-se dos grandes problemas. Eu escutava de longe os gemidos da agressão de papai.
Vi aquelas cenas se repetirem outras vezes mais. Quando um dia resolvi intervir na briga e defendi mamãe. Meu pai, ainda querendo agredi-la, ficou quase sem reação ao me ver no meio dos dois. Se ele transformava o alívio dos problemas em agressão, eu só via a bebida transformada em sofrimento da minha mãe. Fui crescendo e vendo a separação de meus pais a cada dia, e fui excluindo os maus exemplos que papai me mostrava.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Setembro 29, 2006

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Falsa Criação
Em dias que nosso corpo rende-se ao cansaço,
cabeça e coração permanecem inertes,
mas fora de sintonia com o mundo em nossa volta.
É inocência vestida de podridão e tosquice.
Será que estou sendo tolo demais por acreditar nas ferocidades que nos aparecem?
Estou ficando confuso com toda essa história que se passa.
Crônicas vivas. Ah. Sem mais.
Tenho tanto a escrever e não escrevo nada, ou seria ao contrário?
Cansado dessa falsa criação!

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Setembro 28, 2006

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Destruidores
Somos a caça do próprio egoísmo.
Somos apenas conhecido do inimigo,
Somos derrota, somos vencidos.
Somos ladrões de cara limpa,
Sumimos com a nossa história,
E agora o que vamos inventar?

Papéis rasgados. Tudo para o alto!
Mas não vejo nada, só escuto passos.
É o Silêncio de mãos dadas.
Com a vitória no sorriso,
E o olhar de derrotado;
Se escondendo dos malvados,
Se iludindo com o perigo,
Se cansando com o sono infinito.
Onde só dormem aqueles que acordam,
Onde ninguém acorda.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Setembro 27, 2006

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Um Novo Mundo Velho
Meu medo de errar é o seu sonho se concretizando,
A semente que plantei em sua vida vai brotando,
Tudo que aprendi foi motivo pra te ensinar,
O meu maior inimigo é onde no espelho agora está.

Vejo tão distante, o mundo que sonhei.
O nosso pesadelo alimenta a fome de um rei.
O seu desconforto é a nossa solução.
Se te magoei não foi essa a minha intenção.

Nada é por acaso e tudo que acontece vem por um motivo que todos desconhecem;
Todos pesadelos e toda nossa realidade, toda a ilusão do nosso mundo de verdade;
Todas as cores e todas criaturas, toda escuridão das nossas aventuras;
Toda impaciência e toda nossa cura, todos papéis a limpo e sem rasura.

Nasce de novo, um novo mundo e nesse mundo só quem nasce é você.
Morre outra vez, um velho mundo e quem matou não tem nada mais a dizer.
Na minha escola eu ensino como chorar, mas me disseram que não sei ensinar.
Dizem que choro por diversão e o sorriso é a mais nova invenção.

festival de velharias

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Setembro 26, 2006

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Diálogo Mudo
Nossos vícios são tão comuns
Enlouquecer e não ter tempo para sorrir
Que mude agora, pois não aguento mais
Esse diálogo mudo, sem olhares, nem sinais.

Deixa então o suor escorrer pela face
Se nem mesmo o Sol há tanto calor
Nem mesmo os dedos me perfuram os olhos.
Nem mesmo sua boca há mais graça.

Não! Eu não quero mentir para juntar façanhas
Não! Corroer os lábios e as entranhas
Todo o resto do rosto, todo o resto do corpo
Tudo que ainda embriaga o que está por dentro
(Relevar ou revelar nosso bom senso)

E nos perdemos em meio de alguns
Detalhes que nos puseram como os errados
Que fique comigo, nada nunca é demais
Me julguei sempre menor, sempre o incapaz.

Vá senão te prenderei com correntes em meus braços
Já que nunca te alimentei com meus sorrisos forçados
Vá que o tempo corre em tempos que nem posso controlar
O dia está tão lindo e já não quero mais olhar.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Setembro 25, 2006

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Ela Sabe O Que Sinto
Sonhar é muitas vezes a maior realidade,
Viver de sonhos é morrer de curiosidade,
O que mais quero é sempre o mais difícil,
E o mais difícil é sempre quase impossível.

Eu choro tanto por não saber sorrir,
Exilado de mim mesmo é o que consigo ver.
Eu choro tanto porque não aprendi,
Condenado por mim mesmo é o que consigo ver.

A geladeira da vizinha quebrou!
Tem horas que o silêncio é mesmo ensurdecedor.
Parece estranho, mas é tão bonito,
Errar é humano e o vacilo agora é proibido.

Talvez o texto mais antigo que eu tenho registrado.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Setembro 24, 2006

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Adiando
Às vezes, me lembro das vezes que você me deixou
Tão triste e insiste em mostrar que eu não sou

O mesmo dos tempos que éramos dois
E agora tão ímpar estou, pois pensaste que vencer é fazer
A vingança ou esquecer das lembranças que um dia eu criei para ti
E ainda me engano quando diz que

Adora. toda vez que te abraço e você sorri
Olhando para o céu e questionando: "Por que ele está aqui?"

E nos momentos que fingimos que somos dois
Amendrontados deixaremos pra depois
Adiar é esperar pelo fim
De um começo que eu não vi
De um dia que eu não vereio
Das ilusões que eu vivi

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Setembro 23, 2006

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Deselegância em 4 Pés
Quando passar por mim, diga que não vai ser tão forte
Porque eu tentarei fugir mesmo sem ter o meu norte.
No embalo da canção junto com o vento elegante,
Tanta sujeira em volta dos olhos receosos e distantes
Dos dias em que enfim, trocarei nossas mãos por pernas.
E correremos com mais vontade, se é o que interessa;
Chegar até as nuvens com quatro pés e presentes
Que entregaremos aos homens e mulheres mais carentes.
Também desprovidos de atenção, alma, sorrisos e um coração.
Há diferença em não estar consternado então?

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Setembro 22, 2006

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Partiu-se, partiu-me!
As garrafas que sobraram sobre a mesa já estão vazias e os cacos de vidros ali no chão são outras que se rebelaram. Os soluços entre os últimos goles, a carícia entre duas mãos e as cinzas sopradas ao ralo da pia. A cozinha inundada de sufoco e angústia. O rádio no volume mais alto com a música mais gritada. Eu não tenho mais consciência dos meus atos. Não temos sequer mais um prato para alimentarmos os cães na garagem. Garfos, facas, colheres e copos; beijos, abraços e nossos corpos. Há pouco o suor escorreu e empoçou no umbigo. Venha; vem que isso só passou de confusão entre embriagados. Vem; venha e traga mais uma dose dessas garrafas vazias. A música que era ruim piorou. O gosto que era bom melhorou. Roupas jogadas no sofá e estamos nus no corredor do banheiro. "Olhe aquele espelho, querida!". Quantas vezes eu já chorei olhando para ele? Quantos sonhos eu tive pensando em estar aqui com você? E toda a maravilha se foi e, o sofá despediu-se das roupas e, a coragem me faltou quando eu só precisava pedir:"Fique mais um pouco, amor!"...
Agora tudo que restou foi uma cara de espanto, meu sono, uma foto e mais dias comuns.

ao Lucas TK.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Setembro 21, 2006

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Crônicas da Imaginação
Até que ando sorridente por esse tempos.
Chego a esquecer o motivo de tantos sorrisos às vezes.
Mas sabe, o mundo girou com mais suavidade nesse ano.
Foi quase tão perfeito como um filme e o "viveram felizes para sempre".
Comovente pensar por esse lado, não é verdade?
Quem derá eu ter encontrado alegria nesse sentido!
Bem, eu só queria que você partisse sem eu sentir falta.
A despedida deixa aquele clima de perda. A sua ausência vira saudade.
Eu nem pensei mesmo em te ter por tanto tempo assim.
Ah! Ontem foi tão maravilhoso quanto confuso.
Ainda insisto em entender o porque agimos desse jeito.
Hoje enfrentar como se nada tivesse acontecido.
Aliás, você lembra de algo que não nos comprometa?
Qualquer que seja, finja que é apenas imaginação.
Tem horas que me surpreendo o tanto que crio situações.
E essa não passa de mais um pensamento mundano.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Setembro 20, 2006

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Tão Melhor Que Eu
Foi tão difícil alcançar seu rosto quando as lamas corroiam meus pés enquanto os seus flutuavam no asfalto duro e quente.
Lembra de quando não tinhamos chances de dizer o quanto adoravámos um ao outro? Mas foi muito bom te rever tão melhor que eu, eu tão maior no tamanho, você tão indescente na descência.
Vamos combinar de sair e caminhar contra o vento? Sem destino algum. Eu te abraçar e você encostar sua cabeça em meu peito. E riremos das pessoas ao nosso redor e, riremos de nós mesmos...

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Setembro 19, 2006

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Os Dias De Um Marido e Uma Mulher
Depois de casados teremos 2 filhos;
Um dia brincaremos com eles,
Noutro os mandaremos dormir mais cedo.
Um dia assistiremos televisão no sofá,
Noutro veremos filme no cinema.
Um dia eu direi: "Eu te amo",
Noutro exclamarei: "Estou estressado!".
Um dia jantaremos fora,
Noutro encomendaremos pizza.
Num dia a luz de velas,
Noutro nos lambuzaremos todos.
Um dia chuvoso, uma noite sem estrelas.
Uma madrugada de sexo, outra de sono.
Um dia com nariz de palhaço,
Em outro com o sorriso enferrujado.
Um dia deitaremos cedo e dormiremos tarde,
Noutro nem sequer deitaremos.
Um dia escutaremos música antiga,
Noutro ficaremos em silêncio.
Um dia eu lavo a louça e você cozinha,
Noutro eu sujo os pratos e você limpa.
Um dia te beijarei enquanto dormes,
Noutro reclamarás do meu mau cheiro.
E assim até que a morte nos separe.

feito para você já planejou uma vida a dois com alguém.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Setembro 18, 2006

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Dança Solitária
É tudo solução pr'um coração vazio;
É tudo que sobrou daquilo que não se viu;
É tudo com ausência, menos o que não serviu;
É tudo tão estranho, mas só você que desistiu.
É tudo só e sem graça; e quem sorriu, não sorrirá.
É tudo feio e desgraça; e quem viu, não mais verá.
É o fim de mais uma rotina. É ou nunca mais será?
É um balé sem bailarina: Dança solitária é o que dirá!

Dance contigo! Dance sozinho!
Tentei te mostrar o caminho,
Você nem tentou ser meu amigo.

Poema/texto antigo. Não tão profundo, porém comovente.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Setembro 15, 2006

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Até Mais
Agora que mãos cobrem seu rosto cheio de vergonha,
Vejo, talvez essa seja mesmo a melhor escolha.
Um parecer indiferente seu, tornou-se indecisão.
Será que não faço nenhuma falta para você?
Pois, o que me disse em poucas palavras bastou
para que minha indignação crescesse por ti.
E foi por ti que um dia jurei laços de amor,
mas seus conceitos me levaram a desistir.

Aliás, seus dilemas sempre me deixaram com um pé atrás;
É claro que eu não iria discordar, porém dessa vez,
suas idéias cortaram meus pensamentos em pedaços.
Eu não havia como concordar!

Depois de muito tempo poderá ver,
nossas escolhas só fez doer em você
que nunca tentou me levar a sério.
Sofra com seus enfeites e mistérios!
E até mais.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Setembro 13, 2006

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Reflexos de Dias Como Hoje
Há algo maior que minhas próprias razões,
conforme a música toca, eu me transformo.
Já até me assustei com essa falta de ações,
Nosso problemas foi ter dificultado demais.

E se olho a minha volta, tudo faz lembrar
dos tempos em que vida era sinõnimo de amar (alguém).
Hoje acho que para tudo tem seu tempo,
Não para se ter vontades. É assim que as coisas são?

Os nossos erros foram os mesmos,
mas não se confunda comigo, por favor!
Tenho andando confuso por demais e por que
perguntar se estou te odiando?

"- É absurdo o poder que tens de sempre me irritar.
Depois reclama da ira que guardo em meu olhar.
Só peça desculpas e fingimos que nada aconteceu."
E faço sabendo que já não sou mais eu.

Na próxima vez, promete me amar?
Pois nem sei como estaremos amanhã.
Esse duelo é medíocre e só fará esfriar.
A raiva cresce e, um dia, haverá de morrer!

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Setembro 11, 2006

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Não que dançamos enquanto caimos. Eu espero!
Desde quando começamos, terminamos por não saber,
Em que ponto nós mudamos, dentre poucos e tantos
casos de desencontros! Dói-me lembrar o que não
aconteceu com nossas vidas, quando eu te queria,
mas a preferência foi adiarmos. E agora...

Estar ao teu lado é tão cativante e tentador,
E fará pecado, transformar meu desejo em sabor?

Da última vez, cortei suas palavras ao meio,
ensurdeci seus ouvidos, encurtei nossa distância.
Culpa minha como sempre, que não resisto
quando olho em seus olhos e com água na boca,
te forço em mim e grudo-me na sua mordida.

Estar ao teu lado é tão castigante e tentador,
Estaria eu errado, transformar nosso desejo em calor?

Digo, da minha parte, acho até que não estamos longe,
entre tudo o que houve e nada que haverá, havendo
chances de relevar-me; castigo merecerei de ter,
se a traição cortar em pedaços minhas palavras,
e terá a sua vez, com força nas mãos, de calar-me.

Não estar ao teu lado é tão distante e tentador,
Que sinto-me culpado em transformar tudo isso em horror!

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Setembro 07, 2006

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Do Esoterismo ao Exoterismo.
Faz saudades, na morte, a partida,
Deixa histórias sem personagens,
característica viva em suas passagens,
dos contos interrompidos pela sua vida.

O frio é grosseiro! Os dedos de unhas roídas
alisam a pele áspera sem pré-intenções.
É tristeza uniforme, variada em pos-ições.
Derradeiras são murchas pálpebras doídas.

Cai na folia da arte embrigada,
nojenta, tonta e tão misteriosa.
Pudera ser pecado, mas-tigada flor cheirosa,
gosto de seiva e água desidratada.

Matei-me, no colo de ninguém-que-você-conheça,
inquieto sono eterno. Acordei nas nuvens,
se era sem pré, ficamos de vai-e-vens;
e sem muitos detalhes, a não ser que mereça.

Pois, quando foi?, quem o mal fizeste?,
quantas farsas? ou qual fantasia vestirei?
Parecia contos de fadas, a qual era rei;
eu era mau, mas uma male-valente peste.

Tropeço nas montanhas da minha ruína,
faço tornar conhecido, mesmo não sendo;
de mim a um outro, estou morto e fazendo.
Agora é pública, gratuita e suína.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Agosto 31, 2006

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Ficar Sem Você.
E se meus olhos não abrirem mais...
E você não se mostrar capaz?
Nossa derrota seria por um triz...
Desculpe nunca te ter feito feliz...

E se um dia sonharmos em separação?
Um sonho sonhado por um coração...
Seria tarde pra poder solucionar...
Seremos dois perdidos em um só lugar...

Viver sozinho não é o melhor caminho...
Poemas frágeis com versos em desalinho...
Chorar sentado num quarto vazio...
E preocupado com o nosso destino...

É arriscado ficar sem você...
E mesmo tentando não quero te esquecer...

antigo

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Agosto 29, 2006

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Hoje Ainda É Como Ontem.
E sete dias depois, ainda me sinto incompleto como semana passada.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Agosto 28, 2006

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Sete Dias Depois de Uma Garrafa de Vinho e Lirismo Puro
Semana que vem, promete me amar?
Já que é árduo um encontro nosso
nessa vida de contrários horários.
Espero que não deixemos esfriar
essa vontade de termos um ao outro;
se sem um outro você, sou um eu vazio.
Poder então, tocar os teus lábios,
rir do seu riso, esquentar seus abraços;
encher-me em alegria, se não só,
trancá-la de vez em nossa casa.
Semana que vem, promete ver,
com maquiados olhos cegos de amor,
que eu, somente, só quero a ti?
E se é tão difícil compreender,
mesmo sabendo que palavras não bastam;
saiba que em tudo que disfarso e faço,
é sempre pensando em um tudo você.

onde é meu limite nesse mundo de limitações?

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Agosto 21, 2006

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Segredos
Em constantes mudanças, o meu mundo é tão belo quanto feio.
Tem horas em que folhas se transformam em pétalas,
E há dias que não vejo flores nas árvores sem verde.
Quem nunca sentiu-se só e procurou distração em algo fútil?

Eu vi a traição em suas palavras, amigo.
Se eu pudesse, feriria teu corpo para não repetí-las.
E decifrei dezenove dias sem te ver...
Quando a duas noites acompanhei as lágrimas derramadas por você.

Eu em braços que não me agradavam
E sequer me renunciaram.
Você tão inocente ao dizer
E sorrisos voltaram a se esconder.

Ah amigo, não sei se meus mistérios valem como incentivo.
Mas ainda haverei de criar algum só para te contar.
Sei que já fui traído quando eu achei que amava.
E de verdade, segredos só existem se soubermos guardá-los.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Agosto 20, 2006

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Do Socorro ao Esporro
Fui o único a socorrer teu olhar da escuridão.
Imenso poço ardente que te largaram, meu amor!
E quem te perdeu de vista ainda pode perceber
Sua presença invadir com ódio os pulmões.

Fui o segundo em seus planos, tão infeliz estive
Em seguir com a esperança desde a graça da estirpe.

Vou andar sem saber se o caminho é a contramão;
O destino quase sempre me espera pela dor,
No que fui eu humilhado com escárnio de você
E a devoção pelo seu sorriso se foi...

Fui o segundo a te julgar pelo que insiste em fazer,
Mesmo se não fosse tão singular teria um agrado a corromper-te.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Agosto 19, 2006

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O Amarelo, Meu Azul e o Poste
A bebida faz estrago e, então, virou-se e disse:
- Que horror! Você está pálido demais. Um amarelo ambulante! Passe-me essa garrafa para cá.
Esforço eu não fiz. Abri os dedos e o vidro espatifou-se no chão.
(...)
Sentamos no pé de um poste e ficamos a conversar sobre nada.
Era verde a luz e azul o meu amor.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Agosto 18, 2006

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Entre Dúvidas e Opções
Dizem que pensar com antecedência é ter que pensar duas vezes no que passou.
E qual foi a vantagem de termos tantos planos se nenhum concretizou-se?
Agora é tão fácil olhar pra trás e reclamar do que eu fiz
Se o fim foi uma escolha, a qual você sempre quis.

Eu não quero mais ficar nesse labirinto que você fez da minha vida
Quero uma chance para recriar todas as invenções que vi um dia
Ou acabar de vez com o gosto amargo que inflama em minha garganta
Para provar que apenas fingir ser ou estar não adianta.
Nunca fui de brigas relevantes e apegos duradouros
Acho até que mudamos demais depois disso tudo
Enquanto sentia o vento me esfriar em cima do muros,
Você estava a coletar jóias dos diversos tesouros.

Ah! se eu fosse o mesmo o tempo todo
acho que seria tão comum nossas histórias
Se lembra dos dias que ficavámos esperando a chuva passar
E desenhavámos gotas d'água num papel de caderno?
Mais pareciam lágrimas derramadas depois de um abraço terno;
Pequenas, mas gigantes quando ainda éramos conhecidos.

Ah! se fosse sempre do mesmo jeito
não precisaria confrontar as dúvidas com as opções
Me lembro de todas festas que eu não pude ir,
não por não querer, nem por tantos compromissos.
Foi o receio de não ter o conforto dos velhos amigos,
E acabar novamente sozinho com o mesmo copo vazio.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Agosto 17, 2006

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Só Corro. Socorro!
Da prosa, vem a rosa; da rosa, o raso;
Do abraço, os braços; do traço, o troço.
Vem do nosso, o meu; de tu, o vosso;
Do vosso, o vaso; do vaso, a voz;
Da voz vem nós; de nós vem nada.
Vai do nada, o nado; do nado, o ando;
Do ando, eu corro; só corro, socorro.
Da morte, o morro; do morro a mata;
Na mata, o mato; do cão vem o gato;
E do gato, outros tantos; dos prantos,
os pratos; dos pratos, vem a prata;
Da lata, o luto; do luto, a luta;
Na luta a arma; de amar a puta;
Da fruta a polpa; da roupa o trapo;
No teatro a peça; do pedido o não.
Vem do não, o talvez; do talvez,
outra vez; e do três, vem o dois.
Se vier dois, vem o fim; do fim,
não vem nada; do nada, vem o nado;
Do nado, o ando; do ando, eu corro;
E do corro, o resto; no rosto, a risca;
Vem da risca, o risco; do riso, o raso;
Do raso, a rosa; vem da rosa, o prazo.
Do prazo, a prosa esperando resposta.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Agosto 16, 2006

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Lamento Fazer Tanta Festa (Quanta Farsa!)
Queimaste minhas mãos, arrancaste meus dedos,
Fez-me sentir a dor que te mata.
Encorajou o medo a assustar minhas razões,
Ancoraste meus planos em balbúrdia exata.

Quiseste ver-me em derrota e demência,
Friamente rasgou-me como um animal,
Sem pensamentos cordiais ou líricos,
Com nenhum senso de essência universal.

Se clamas perdão, sabes do mal que fizeste,
Mas se é só um refrão, lamento dizer o que resta.
Se é arrependimento, tenho é dúvidas de que seja,
Mas se for só lamento, lamento dizer o que resta.

Quando minhas mãos ao corpo voltaram,
Francamente pensei em destruição e vingança.
E se fosse de ser assassino, assassino seria...
Se eu fosse de ser uma inconseqüente criança.

Quem ousou tirar-me o prazer do meu vício?
Fracos são aqueles que se prendem em um ciclo.
Se é rima que deixe uma sobra que encaixe,
Mas se é clima, tem graça não ter rima também.

Se clamas perdão, saibas que não o terá,
Mas se é só um refrão, lamento fazer tanta festa.
Se é arrependimento, tenho é dúvidas de que seja,
Mas se for só lamento, lamento fazer tanta festa.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Agosto 15, 2006

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Se Não Tem Graça É Desgraça!
Suponho que me guardam um único fim,
Porém sei que não passo de repetições.
Troco dois dias por um domingo inteiro,
Mas esqueço sempre de fazer as lições.

A cada mês tenho uma semana de frio,
E outras três de febre e cansaço.
Passo uma quinzena esperando te ver,
E mesmo assim as lições nunca faço.

Se fosse pra morrer de amor ou algo que o valha,
Que tivesse sido no nosso último encontro
Quando fugi dos seus braços enquanto me abraçavam,
E deixei as lições paradas no mesmo ponto.

Não reclamo do que sinto ou do que sou,
Só sei que não foi isso que eu sempre quis,
Talvez preciso só mais um tempo para entender,
Mas os trabalhosos estudos, eu ainda não fiz.

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Agosto 14, 2006

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Segundas Intenções
Quando perdido, me vejo incerto,
E quando errado, me sinto tão frágil!
Me faço de herói e não aguento ser eu mesmo.
Me vejo diferente e na verdade tão igual.
Quando não sei onde estou me sinto ao teu lado,
E quando o sol se põe me escondo no escuro.
Insisto em confundir o concreto e o abstrato,
E finjo sentir dor para me fazer de coitado.
Aprendendo que o amor te faz preocupado,
Sempre preocupado e sempre sua vitíma
Do que não se explica por ser tão confuso assim.

E esse sofrimento de te ver com outro alguém
É o motivo que uso essas palavras;
Mas é que está tão bonito
Que eu não sei se é ruim.
O pior ainda está por vir!
O pior ainda não chegou!
E você sequer notou
Que meus olhos brilham quando te vejo,
E queimam quando ouso fechá-los
Como cacos de copos quebrados
Cortantes enquanto querem ferir.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Agosto 13, 2006

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Bilhete na Porta da Geladeira
Era um silêncio seco; pesado aos meus ouvidos.
Na imensidão secreta do nosso refúgio,
Um porta-retrato sobre o criado-mudo,
Um abajur sem lâmpada do outro lado
E seu corpo estendido no leito de sono.

Era tão confortável velar seu descanso.
Um anjo de maquiados olhos fechados.
Reclamou cansaço enquanto a mesa,
Desfez da toalha no miúdo corpo
E se jogou por cima da roupa de cama.

Amanhã já vai chegando, eu aqui,
Sentado a sua frente deslumbrado.
Despertei-me do chão aconchegante,
Soltei um beijo sem graça em sua boca,
E te cobri com toda sutileza possível.

"Tenha um Bom Dia, Meu Bem."

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Agosto 11, 2006

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Para Não Causar Má Impressão
Já nem encontro sentindo em escrever agora que minhas palavras são apenas palavras para você.
Que diferença faria não iluminar o quarto escuro para mantermos nossa cegueira a tona?
Eu só não quero te ver por esse instante! Já estou acostumado a acabar sempre por baixo.
Jogado a segundo plano como boca que canta a música da moda sem perceber.
Um esforço feito com melodia e poesia sem forçar os lábios contra os dentes.
Ah! Vou seguir em frente, pois o horizonte me espera de braços abertos
Pronto para acariciar meu rosto ou cuspir conselhos de mal gosto em busca de prazer.
Eu teria livros a contar sobre o que um dia eu já vivi,
Até pediria aos amigos para escolher tal conto dessa vez.
Mas preferi o conforto de alguém que nem conheço de verdade.

Você não acha que a distância pouco nos importou quando a união era o que eu mais precisava?
Eu sei que já passamos do ponto de que um só beijo na face significa muito.
Lembra quando a infância nos dava total liberdade para nos aceitarmos?
Agora tenho que me preocupar com uma tal de coerência malevolente.
Que o correto é seguir o coerente e nada diferente disso.
Ah! Eu tenho medo que seu medo nos faça piores do que nossos pensamentos.
Tenho medo que nossos desejos sejam esquecidos ao sol e vento.
Façamos cordéis do que um dia planejamos. Deixe escorrer a água que quase os afogaram.
Eu corro sem mesmo ter direção, eu aprendo sem ter mesmo uma lição.
Os errados somos nós que sabemos que a vida se transforma em pouco tempo?
Nada é por acaso. Nada é por acaso. Talvez seja a curta pausa, o atraso!

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Agosto 09, 2006

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Antes de Fazer
É como o vento que sopra em seu rosto,
Esbanjando ódio e cheio de desgosto.
Para que estrague o que parece estar inteiro,
Para que destrua o que parece estar completo,
Já não é estranho mostrar o que sinto,
Já não é feio fazer o que quero.

A vida é curta...
Para quem não sabe aproveitar.
A vida é mesmo curta...
Para quem não sabe aproveitar.

Eu já chorei por caminhar distâncias e distâncias,
Agora choro porque tenho que voltar...
Tudo que passou, ficou apenas pro passado...
E tudo que restou, foi apenas resgatado..
Do que sobrou...
Entre nós dois...

É tão estranho, mas só acham engraçado...
É tão frágil, mas só acham inquebrável...
É tão legal, mas só acham retardado...
É tão gostoso, mas é tudo imperdoável...

2003

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Agosto 07, 2006

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Infinito
Qual é o sentido do infinito,
Se o que não tem fim sempre acaba no começo?
Estou tão triste ao sorrir por não estar ao teu lado.
Estou tão livre ao me sentir preso por ainda te querer.

As antíteses dos meus versos já não são pra se entenderem.
O que vejo é incorreto por estar assim tão certo,
De que a única certeza é que faço tudo errado.

Me fiz criança no seu colo,
Por não querer ser mais o mesmo.
Já agradei e agora comemoro,
Isolado e quase sem juízo.
Seu egoísmo é o meu paraíso,
E meu engano é a sua retribuição,
Nossas feridas já não doem mais,
E o seu cansaço é a minha fraqueza exagerada.
Querer ver tudo e não ver quase nada.
Fingir a dor e chorar por dar risada.
Ser mais alegre com tanta tristeza.
O seu sorriso é a minha maior riqueza.
Mas já não posso ter tanta certeza assim.

Antes de acordar é preciso dormir.
Antes de poder chegar é preciso partir.
O meu maior problema é meu maior defeito,
E o seu maior tesouro já não cabe no peito.

No coração sempre cabe mais do que eu sei,
E ainda não aprendi,
A coisa que mais quero não posso fazer.
Mas então, qual é o sentido do infinito,
Se o que não tem fim sempre acaba no começo?

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Agosto 06, 2006

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A Adaptação de um Cotidiano Supérfluo
alguns vícios consumindo minha cabeça,
minha mente já anda cheia por demais;
a luz na janela do poste na rua;
o fundo escuro da noite turva;
o celular que anda esquecido como sempre;
o telefone que nunca toca;
o dicionário, as formigas;
o copo na mesa, o pincel quebrado;
a vontade de fazer o que reclamo;
o pesadelo que vem a esmo;
a relutância por escutar Dance Of Days;
a exclusividade que encontro em Paris;
as palavras mais perfeitas do mundo;
uma foto que pareça idiota;
o passo errado, um poema como este;
a cópia que confunde como uma adaptação
do que você faz com o que eu vejo;
acabando sempre na mesma linha de um verso.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Agosto 05, 2006

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O Ladrão de Noites
Oh solidão, o que quer ver nesse espelho sem reflexo?
Onde um só cuspe escorre em velocidade ao piso.
Água corrente como num dia chuvoso pela sarjeta.
Metáforas são expressões de uma garganta seca.
Olhar ao céu, não há sinais que possa me ajudar.
Não vejo Lua, nem nuvens, nem estrelas.
Gosto amargo me força a fazer caretas.
Antítese é um relâmpago em meio a seu sorriso.

O tempo parou quando eu te encontrei
E acelerou quando deixei de ver você
Só para recuperar o instante perdido.
É mesmo estranho quando se quer alguém
Que sabe o quanto nós a queremos bem
E passamos de mais um desiludido.

Oh solidão, ainda se pudesses me presentear com algo!
Um violão, uma canção e até um porta-retrato
só para fazer o meu amor ficar aqui do meu lado
escutando as palavras mais bonitas que já escrevi.
Olhos abertos, pois a surpresa pode ser melhor que um jardim,
Um vilarejo de planos sem enquanto para um casal traçado.
Ainda mais se já estivessemos casados, eu não teria roubado a Lua para mim.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Agosto 04, 2006

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Agosto em Desgosto
No frio da madrugada de hoje, ninguém escutava o barulho de pneus velozes na avenida, só a respiração profunda do meu irmão na cama ao lado; podia-se ouvir também o cachorro bebendo água no quintal; no quarto totalmente escuro, o despertador marcava duas e quarenta e oito; a janela de alumínio estralava de minutos em minutos.
Cobri a cabeça e fechei os olhos. Uma moto solitária rasgou o ar na avenida e, mais um estralo da janela. A inquietação tomou conta de meu corpo como um demônio, eu virava de um lado para o outro, tentando uma posição cada vez mais confortável. Encostei minha cabeça na parede e comecei a viajar na imaginação: o vizinho ficou preso no portão tentando passar por ele quando estava fechando, de repente, virei herói quando salvei uma garota caindo de um prédio, logo após, eu já era um apaixonado entregando flores à amada.
E fui voando entre as salas da imaginação até que te vi morrendo. Decidi não mais pensar em nada, mas isso era impossível. Abri os olhos: o mesmo quarto escuro; no relógio já eram três. Fechei-os e cobri a cabeça.
Estava frio demais, parecia que a cidade inteira dormia, menos eu. Voltei a me concentrar no sono; do nada, eu já era dono de uma empresa conceituada, casado com a menina dos meus sonhos e levando os filhos para o zoológico. Vaguei até que pensei num suicídio. Evitei pensar em mais nada. Logo depois, eu já não lembro, devia estar dormindo.

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Agosto 03, 2006

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O Escuro do Preto Contra O Vazio do Negro
Eu, criança mimada, rasguei a parede em três pedaços: numa peça pintei o meu azul favorito, noutra manchei com marcas de mão e pisadas de solas sujas e; na última, deixei estrelas amarelas brilharem num céu sem sentido.
Houve discordâncias por toda a casa. Tia Leandra odiou as pegadas que não caminhavam para nenhum lugar; Fred, meu irmão mais velho, inovou meu muro azul com um cigarro aceso e, vovô e a empregada ficaram a olhar o céu estrelado-amarelo balançando a cabeça com reprovação. Para o resto, nada ali fazia diferença.
Do banheiro para o quarto, e lá estava minha obra de arte; do quarto para o banheiro, e novamente pode-se ver. Como podia passar despercebido?
Então resolvi fazer algo grandioso, que pudesse chamar a atenção de todos. Dessa vez não rasguei a parede em nenhum pedaço, apenas deixei o teto como estava: a sala ficara preta.
Dois dias depois, papai havia comprado novas lâmpadas reclamando da escuridão; a tia cobria as paredes com tecidos claros, tentando tornar o cômodo mais claro; a empregada sempre trazia os ventiladores na hora da novela. Enfim, nada mesmo parecia comover minha família.
Uma semana depois, a casa era toda preta. Menos meu corredor estrelado semi-azul com manchas de mãos e pés. Via-se cortinas para todos os lados e barulho de ventiladores ligados em toda parte. Passavam os dias e aumentava a inquietação entre os moradores, quando mamãe me disse:
- Filho, eu nunca vi um céu tão estrelado, nem um azul tão intenso.
E eu respondia educadamente:
- Esqueceu das manchas de mãos e pagadas, mamãe.
- Pois bem filho, ainda não pude ver este.


Tia Leandra e Fred agora eram rosa. A empregada, roxa. Mamãe e titia pintei de vermelho. O resto ainda continua preto.

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Agosto 02, 2006

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Coração Quebrado - 2º Capítulo
Não é inútil acreditar que um dia vou te ter...
Difícil é te fazer lembrar que quero você...
E se não se importa com quem te quer bem...
Prefiro não me importar com ti também...

Iludo-me fácil com um impossível sofrido...
Traduzo o real neste verso tão feio...
Exclamo palavras simples sem sentido...
E insisto em desconfiar daquilo em que creio...

Dê-me suas mãos e se entregue...
Leventarei sua sombra e assoprarei ao ar...
Pra que o vento fraco te carregue....
E leve-a onde não poderei te levar...

Aqui escrevo: "Não sei porque desisto!"...
Pois sofro muito por tão pouco me causa...
Agora viver sem me procupar no que insisto...
Esperando que tudo seja uma curta pausa...

Vou me mudar pra longe daqui...
Prum lugar perfeito pra mim...
Vou me mudar pra longe daqui...
Prum lugar distante de ti...

Me afastar do incrível nosso mundo...
Entristecer-me com toda nossa história...
Finjir lembrar de tudo em um segundo...
E barrar de vez uma memória...

Discordar de quem...
Discordar de quem...
Discordar de quem...
Sempre teve razão!

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Agosto 01, 2006

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Coração Quebrado - 1º Capítulo
Foi como um estrondo, um tremor que partiu meu coração...
Veio de repente e acelerado me jogou ao chão....
Será que continuo ou não a insistir entender?
Se hoje eu te quero, amanhã eu vou sofrer...

É outro nome igual que tem a menina dos meus sonhos...
É outro sonho então que num segundo se perdeu...
E quem viu que meus olhos se avermelharam...
Sabe que deles uma lágrima escorreu...

Prefiro acreditar que sabes como eu estou...
Assim chorar menos e pensar no que sobrou...
Se eu quero seu amor, você quer só amizade...
Se não te dou valor, você quer ser minha metade...

Beijos e abraços num canto em outro alguém...
Vivo isolado como sempre sem ninguém...
Sigo em frente sendo um pobre fracassado...
Bobo, cego, triste e com o coração quebrado!

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Julho 31, 2006

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O Título É Por Sua Conta!
Eu a pensar que a resposta curta seria a melhor,
imaginar ter todas perguntas de cor...
Eu saberei que um outro dia poderemos nos encontrar,
numa quarta-feira em qualquer lugar que não seja aqui...
Esmurrará meu rosto com um beijo sem gosto,
e diria que foste um belo almoço. Até logo mais...
Como uma ordem, seu sorriso veio apagar...
a única estrela que estava a iluminar...
Minha sacada amarela...

E então mais uma noite fria amanhecerá,
e novamente o meio-dia será o jantar...
Por passar o tempo tiraste o sol quando quis me ver
entristecido pensando em correr perigo...
Neste imenso deserto e nada sempre pode me esquentar,
a areia-neve ainda quis saborear...
Meus pés descalços no chão...

Oh coleção de infames criações de um coração...
Idéias ilimitadas imitadas em uma canção...
Os pensamentos de meu mundo surreal...
Que mesmo distante parece ser tão normal...
Nossa sacada amarela...

às vezes escrevemos tantas besteiras que acabamos achando não servir de nada, mas talvez elas valham de algo para os outros.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Julho 30, 2006

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Corações Completos em Preenchimento
Tudo em minha volta faz sentido quando não me sinto
fraco por ter sido derrotado em mais um plano infálivel.
E sempre caio em contradição quando cuspo palavras a você
Já não sei se renuncio ou me deixo derreter...
Nessa fogueira que queima minhas vestes e quero que prestes atenção!

Passamos da fase, onde só um beijo na face
significa o bastante para nos satisfazer!
E é claro que hoje, você nunca foge
das expectativas de me manter completo!

Finalizando vou contar o que em livros ainda eu não disse,
É que em toda minha vida, eu nunca vi o mundo girar com tanto sentido!

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Julho 29, 2006

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Intelectos e Confidências
Genialidade misturada com as sobras,
entenderemos porque juntos não estamos melhores.

Criatividade enrustida não mais terá aqui,
enobreceremos nossos detalhes e ficaremos mais fortes.

Perdemos tanto tempo pensando em intelectos e confidências,
que esquecemos que viver sem encomendas seria mais fácil.
Agora estamos perdidos em meio a nossos próprios dedos.
Nâo conquistaria e nem conseguirei mais nenhum emblema.

Insignificância notória entre tantas obras,
falarei mais um pouco sobre seus defeitos.

Egocentrismo gasto não mais te faz sorrir,
almejaria novas vestes para se esconder.

"foram tantos dias que mais pareciam anos
e em segundos não mais tenho nossos planos.
cadê nossas tardes de longas conversas?
cadê nosso futuro e vossas promessas?"

Defenderemos teses, causas, restos e minha eloqüência,
gestos tão mais humildes que meu vocabulário,
Hoje estamos sós e trancados em nossos medos.
Não desconfiei, mas apostaria mais um de nossos problemas.

Individualismo norteador entre tantas cobras,
Quando aprenderemos juntar ambas as partes?

Atualidade grave quer nos destruir,
eu enlouqueceria em ter de ver tudo isso outra vez.

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Julho 28, 2006

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Fuga
...
E fez de tudo, quase nada;
E do escuro, mais um pouco;
E mesmo assim, não fui capaz de entregar o jogo.

E fez da dor, sua risada;
E com esse amor, fiquei louco;
E é só saudade queimando como fogo.

E fez do brilho, a luz do dia;
E do olhar, todo o medo;
E da certeza pude ver o que é verdade.

E fez da porta que se abria;
Os olhos fecharem bem cedo;
E desse sonho que só é realidade.
...

deve ser de 2002

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Julho 27, 2006

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O Jantar dos Autores Vaiados
"-Traga mais uma dose e sirva-nos!"
- gritei em tom amargo para causar espanto.
"- Não me omita sua vida, pobre poeta,
desconfio de todos seus temíveis prantos."
"- Não mentirei que me sinto fraco por dentro,
mas não conto detalhes de meu sofrimento a ninguém."
"- Nem mesmo para um outro mísero velho
amigo que confessa lhe querer bem?"
- via o garçom assustado trazendo a bebida cuidadosamente.
"- Apenas meus versos sabem como estou.
Poemas que nunca ninguém lera."
- e com os olhos fechados, seu rosto deitou.
"- Como ousa dizer uma bobagem dessas?" - indaguei.
"- Repetirei que eles não fazem noção.
Todos lêem minha vida com vidrados olhos,
mas olho vidrado não é coração."
"- Desculpe-me, caro amigo, mas desta não concordo,
- continuei e virava mais um guloso gole ardido -
sei bem que suas rimas é seu breve retrato.
Bendita Paris, achaste que havia partido?"
"- Não finja saber algo sobre mim.
Só eu sei o que ferve meu sangue."
"- Pois eu sei muito bem o que sentes, covarde!
Somos filhos da mesma gangue."
"- Grite mais alto, demônio em pessoa,
todos adorariam saber o que guardo."
"- Controle-se! Ainda não acabamos nossa conversa."
"- Espero que ninguém tenha escutado."
"- Não se preocupe. Esquece que ninguém nos ouve?"
"- Cale-se! Não te agüento mais, cafajeste."
"- Tolo, ainda somos dois no mesmo corpo,
pensando num verso que realmente preste."

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Julho 26, 2006

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Retalhos
Outro dia pode ser, hoje eu só quero descansar,
Sem ter que escutar sua voz áspera.
Arranhando os meus ouvidos e a me distrair
Enquanto o sono fica sem querer dormir.

Quero ser maior que os olhos que só podem me enxergar,
E quando os meus próprios tentarem me encontrar
Vou estar longe das bocas que só podem me ferir
E esquecer de todas vezes que estive a cair.

Espero desta vez que eu não precise parecer,
Pois sempre estou por perto sem mesmo te conhecer.
Em simular desastres ou ter que me iludir,
Prefiro não querer e optar por desistir.

Eu sei que tudo é tão igual e ainda não sei ser.
Pode ser mesmo o mesmo, mas terei de aprender.

Foi quando quis e voltaram os instantes
Que não trouxe pra mim uma nova esperança.
Poderia ser como tudo que foi antes
Sem te ver partir com seu sorriso de criança.

Um outro dia pode ser, hoje eu só quero descansar,
E deixar que o amanhã nos espere
Tentarei socorrer o que sobrou de mim,
Sabendo que recordar é não estar aqui.

Foi quando não quis e ficaram os instantes
Em que tudo parecia ser como era antes
Hoje só quero descansar e sem ter que repetir
As escolhas de quando você estava aqui.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Julho 25, 2006

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Muito Mais Desgosto Do Que Uma Simples Queda
Se meu corpo ferido pender rumo a queda,
Sei que sorrisos esnobes passarão a ser palidez em seus lábios.
Será como ver meu sangue te banhando, meu bem.
Sabe quando a vingança torna-se remédio?

Acha que não desconfio de todas as suas esperanças
Ou atitudes que me deixa ajoelhado a seus pés?
Seria muita inocência de sua parte.

Seu orgulho trouxe apenas desconforto, e confesso,
Muito mais desgosto do que uma simples queda.
Não entendo a injustiça que cobre as cabeças dos que
Se apaixonam e sofrem, dos que se idolatram e morrem,
Dos que se encorajam e correm.

Quando meu corpo ferido pendeu rumo a queda
E sorrisos esnobes passaram a ser palidez em seus lábios.
Foi como ver meu sangue te banhando, meu bem.
Sabe quando a vingança torna-se remédio?

Conheço bem as pessoas que me querem mal
E parece que não me quis assim o tempo todo, (não é?)
Faço da queda meu próprio passo de dança.

Gostaram? Vocês ainda não viram nada!

> Postado por Rafael Henrique em Segunda-feira, Julho 24, 2006

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A Pluralidade Em Forma de Horas e a Centralidade Rumando ao Norte
Pluralidade, eis a questão da maioria,
Eis a maior questão em grande número.
Entre o que há de importante e de importância,
Entre o que há no agora e na distância.
No exclamativo também, no interior do nosso dia,
Na facilidade do sorriso e na busca ao tal paraíso.
Nortear a dor; norteador sendo mais singelo;
Conviver sem tempo ou apenas viver sem,
Deslizar no momento enquanto te querem bem.
Esquecer, sombrear, magoar por falta de lembrança,
Não saber e desdenhar, a inocência de uma bela moça.
Surpreender, cativar, mudar a rima que pareça certa.
Não mais ter ou falar enquanto com dedos você me aperta...
Nos braços, no corpo, no rosto e na cintura,
No pulso a dúvida de um relógio ou bússola,
Ponteiros que giram apenas em nossa órbita,
Sentidos confusos e o resto que sempre me falta.
A sensação de ouvir o leve sopro de uma flauta
Ou um cochicho ao pé do ouvido sujo e surdo,
Do leste para o oeste, entre o norte e o sul.
A peste que se veste de morte para o susto.
Centralidade, eis o exato ponto principal,
Eis o zero na dúvida entre bem e o tal.
Entre as linhas deste e de outras colunas,
Entre a fantasia com véu, grinalda e plumas,
É luva que veste a mão santa e boba,
As circunferências que nos maltratam e roubam,
Roubam de mim e de nós as horas preciosas,
Invejar a dor ou são apenas grandes invejosas.
Sem opção de escolha ou escolha por opção,
Empuxos lentos nos mostram a direção,
Como a rosa-dos-ventos e dos segundos digitais,
Talvez a falta de tempo nos pareça tão normais.
Contradizer, explicar, aconselhe quem te faz melhor.
Não querer demonstrar que ainda sabemos de cor...
O horizonte que tarda e não falha dando um passo a frente,
A insegurança colhida dos dias que ficaram apenas em minha mente,
Confusão, entender ... os quais anos esteve disposta,
Enfim ver e saber ... a demora de suas respostas...
Quanto ao que mais quis e tão certo eu fiz
Para tê-la em meus braços e uns fortes abraços
Ou que não vire apenas histórias de horror.
Que soe como elogio, mas um pouco sutil
Um relógio numa frase da canção de adeus,
Que rale como a sola dos sapatos afora,
Uma bússola em fase dos melhores sonhos meus.

bem antigo. talvez o que eu mais goste.

> Postado por Rafael Henrique em Sábado, Julho 22, 2006

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Por Falta de Assuntos
Antes de mais nada, não tenho nada a dizer
E tão pouco preocupado com o que possa acontecer!

Falsos anúncios nas capas de jornais,
Notícias tristes se parecem tão normais.
Palavras repetidas (com) sentidos diferentes.
Atos ingênuos entre corpos tão carentes.

Faltas de idéias pra compor uma canção,
E excesso de derrotas e feridas em minhas mãos.
Depois de tanto tempo e quedas por desilusões,
Em meu corpo apenas restos de tantas confusões.

Nossos braços já não tinham forças pra recomeçar
E de pouco a pouco o que era pouco haveria de acabar!

Por mais, sem menos e nenhum simples motivo,
Ficar sozinho não me parece ser nocivo.
Em trapos, rasgos por correr tantos perigos,
Em vida, merecedor por viver alguns castigos.

Crise nos afetos e datas retomadas,
Pais, filhos e netos com mudanças comportadas.
Fases que não passam e cenas de lamento,
Cansei de parecer um fingidor de sentimentos.

Dias gastos com assuntos que não podiam existir
E agora mesmo não temos nenhum para que possamos discutir!

> Postado por Rafael Henrique em Quinta-feira, Julho 20, 2006

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Cartas de Longe
Epílogo.
Desde a primeira vez, tento me convencer de que não passou de adrenalina.
Logo depois, seu rosto envergonhou-se e suas mãos já agarravam as minhas.
Você se fez tão linda, eu me fingi de enganado.
Sabia que na sua vida, nunca tomou muito cuidado,
Para não se apaixonar por qualquer homem em sua frente.
Hoje, mesmo com o tempo, ainda tenho isso em minha mente.
Desde que estamos juntos, nunca tiveste uma boa mudança repentina.
Também sei que novas idéias construtivas são sempre bem vindas.
Eu me fiz tão cego, você me fez um derrotado.
Fui egoísta demais, agora estamos separados.
Só assumi o seu valor e sua falta quando a porta se fechou,
Deixando em minha volta, a poeira de tudo que se acabou.
Desde que partiu, só tive noites em claro, cinzentas e frias;
Se eu pudesse voltar, eu apenas diria para mandar notícias.
(Talvez o vento traga cartas vindas de longe.)

> Postado por Rafael Henrique em Quarta-feira, Julho 19, 2006

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É Desespero!
Lá está você como aqui nunca esteve
indo de encontro ao outro
responder se haveria chances de tê-la.
imenso horror em que vivo, grande bandido
ousou me enfrentar e roubá-la de mim.
De onde surgem motivos para acabarem comigo?
ouvi me dizer que não passo de mais um amigo, mas
Vale lembrar que o "nunca" nunca deve ser dito.
ardentes lábios gelados que ainda não pude sentir.
lá você está como nunca esteve aqui,
encantada com as palavras que nunca sairam de mim.

Criança Brincando de Ser Poeta
Num momento de loucura,
ele pensou em partir sem rumo
apenas com o temor e a bravura;
no bolso, um maço de fumo.
Cego o bastante para não ver nada,
correu pelas ruas de terra batida,
enfrentou geladas noites e madrugadas
coberto apenas com o suor que desde a partida
fazia feder e espantar a todos que
ajuda sempre tentava em vão.
Viste só o sofrimento? Agora pense você
que esse ocorrido não passou de imaginação,
pois mesmo na loucura, ele foi capaz
de ver seu futuro e todos os sonhos
jogados ao lixo. Olhe só o que o desespero faz!
E apenas voltou a ter os olhos tristonhos.

> Postado por Rafael Henrique em Terça-feira, Julho 18, 2006

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Todos, Tudo e Ninguém
Ruth Oxford chorava no canto da sala. Fred Morgan balançava a cabeça querendo não acreditar. Oscar Lemond sentado no sofá. Raquel Zaya via a televisão. Jack Valley acendia e apagava a lâmpada sem parar. George reclamava do barulho do rádio. Doroth dançava uma música lenta. Dorian se coçava todo pelas picadas de mosquito. Alan Morrison socava a parede sem razão. Bernardo derrubou cerveja no tapete. John Mayer fumava um cigarro na janela. Juliet cortava os pulsos. Afonso e Eduard não desgrudavam os lábios. Helena não tirava os olhos deles. Ramon soltava um sorriso sem graça. Richard caia de bêbado. Soraya Bilac roia as unhas enquanto seu marido a traia. Jéssica amava José. Melissa o amava também. Samuel dormia no chão. Samanta rezava alto. Fernando trancou-se no banheiro. Wanderley apagava a lareira. Helen estava no computador. Milena escovava os dentes. Michael comia um brigadeiro. Ninguém escutava Selene. Kátia traçava planos. André cruzava os braços. David coçava a cabeça. E eu não tinha o que escrever com o meu defeito de reparar em tudo.

> Postado por Rafael Henrique em Domingo, Julho 16, 2006

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Enfim...
Enfim poeira que vi entrar pela janela e se acomodar ao chão,
Em mim a cera lamacenta que escorre pelos olhos e preenche o pulmão...
... de ira ou nada que me satisfaça
pelos cabelos expiro fumaça
em tom de fervura e suspiros ao máximo.
"- Aumente o volume então!" - nossa música está no ar.
È sinfonia aos ouvidos de quem já não vê sentido
Em acordar de madrugada e não parar de conversar
Até mais uma crise de sorrisos ou um suplício no olhar
"- Esta noite foi tão boa, amor!" - exclamei sem sequer escutar um gemido.
O ronco trêmulo fez-se em meu lado,
O cansaço vibra em teus lábios,
Só mais um sono para podermos descansar.

Como ter a cura de uma saudade recente?
Como matar a vontade numa noite quente?
O silêncio despertou na cidade,
As lâmpadas omitem claridade e...
... amanhã teremos mais um dia de rotina
ao ver o sol através da cortina.
Em desfazer do lençol quando eu não queria
nem acordar. Vem cá querida!

Enfim, hoje o dia já se foi e o que foi que você fez?

> Postado por Rafael Henrique em Sexta-feira, Julho 14, 2006

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